Rodolfo Cró Ultimamente, o Diário de Notícias tem fomentado o debate em torno dos eventos culturais e dos festivais realizados na Região Autónoma da Madeira. Não representando um elemento de consenso entre todos os intervenientes, sejam eles directos ou indirectos ao tema em questão, o facto é que as opiniões são tão diversificadas como o que emana da sociedade. Aliás, este elemento surge através de um tema que, e desculpem a sinceridade, está mais do que consumido: a globalização. No entanto, paradoxalmente este conceito trouxe dois tipos de comportamento: por um lado, uma necessidade de acompanhar as tendências internacionais; por outro, uma valorização e, acrescentaria, uma maior sensibilização do contexto local. Mas pergunta coloca-se: Que oferta cultural, deveremos apresentar aos turistas que nos visitam ao longo ano, e aos que cá vivem? Na minha perspectiva, o primeiro problema é a excessiva preocupação em acompanhar os grandes palcos europeus, que por vezes, representam só no aspecto geográfico, uma vantagem que em nada nos serve igualar. Um outro problema, é a excessiva representação local, que em muitas vezes é apresentada de uma forma deturpada, na qual todos se acham no direito de representar. Creio que face aos dias que correm, cada vez mais, a cultura deve ser apresentada de uma formal plural, através de uma oferta diversificada, cuidada, acompanhada e gerida com meios racionais. No entanto, coexiste com toda esta discussão um elemento ainda mais determinante ao sucesso da cultura: a crítica. O curioso é que a mesma não existe, quer dizer, nas cabeças de alguns existe mas apenas num sentido de senso comum, onde na maior parte dos casos, adopta-se uma atitude de passividade; de rejeição; ou então confundimos com o gosto. Então, há que mudar de atitude. Neste contexto, a região para a dimensão geográfica que tem apresenta uma grande oferta cultural, mas com uma clara tendência monocultural. Ora neste sentido, é preciso uma mudança nos espectadores para uma clara abertura na sua forma de pensar e de interpretar o que nos rodeia, adoptando claramente uma atitude reflexiva e ao mesmo tempo crítica. Com isto quero dizer que mais ou menos festivais em nada nos ajudam a evoluir como cidadãos do mundo, se adoptarmos o que ultimamente temos feito.