Não há democracia sem partidos, mas há democracia sem clubes de futebol. Até há futebol sem dirigentes e sem sociedades desportivas ou similares. Por muito que custe ao lado da bola, a verdade é esta. Os dois mundos são incomparáveis e tentar justificar o contrário entra no campo do absurdo e do ridículo. Foi o que fez o presidente do Nacional, ao dizer que só deveriam acabar os subsídios aos clubes quando terminassem as subvenções aos partidos. Simplesmente uma afirmação sem nexo, totalmente disparatada, misturada com linguagem e ataques inqualificáveis, mas que fez rir adeptos e até jornalistas. Já agora, riam do quê? De si próprios?

Desde logo afirmo que sou a favor dos apoios a partidos e a clubes desportivos, por mais politicamente incorrecto que possa parecer. É essencial o financiamento público dos partidos, porque sem ele seria a lei dos mais ricos, dos poderosos, das grandes empresas que elegem Governos. Só não se admitem barbaridades como o ‘jackpot’ regional que distribui uma fortuna, calculada na base de 15 salários mínimos mensais por deputado. Nenhum dos 47 que integram a Assembleia Legislativa, por mais competente que seja, vale isso. Nem sequer metade.

Também é justo o apoio ao desporto profissional, desde que visto como forma de financiar a formação de atletas, promover a prática desportiva, atrair outras receitas e promover uma região. A ser assim, é um investimento lógico. Já não se admite é que os dois maiores clubes regionais apresentem ‘onzes’ onde os portugueses são uma raridade e os madeirenses, então, são excepções que confirmam a regra de que ‘o que é brasileiro e do Leste é bom’. Pode não ser bom... mas paga comissões.

Independentemente dos erros graves das duas situações, continua a ser incomparável a garantia de participação cívica e política, com a competição profissional de futebol. De um lado está a democracia, a discussão do futuro comum de uma Região e de um País, do outro um jogo de bola. Apenas isso.

Este episódio, a juntar aos casos recentes de violência, verbal e não só que tiveram como protagonista o presidente do Marítimo, deveriam servir para que os adeptos e sócios dos principais clubes regionais parassem para pensar. Será que querem ser representados por este tipo de dirigentes?