A chuva anda, por estes dias, a fazer novamente das suas. Já não bastava no 20 de Fevereiro ou no 21 de Outubro, tinha de aparecer um 25 e um 28 de Novembro, com alertas laranjas ou amarelo-alaranjados para preocupar. Nos últimos meses tem sido assim. A chuva deixou de ser desejada. Com a chuva enchem as ribeiras e a cidade fica alagada e as encostas despidas da vegetação levada pelos incêndios de Agosto trazem um medo redobrado. Mas de facto é estranho ver em poucos minutos a Avenida do Mar intransitável e as ruas cheias de água. A culpa, diz quem supostamente sabe, é das alterações climáticas, que agora (espantosamente só este ano e só desde Fevereiro último) chove muito mais e num período mais curto de tempo. A culpa, diz quem deveria saber, é do aterro que sem ordem cresceu junto à Avenida do Mar. A culpa, diz quem diz que sabe, é dos sistemas de drenagem que não respondem como deveriam. Apontam-se os dedos, escolhem-se culpados, diz-se que se está a fazer o possível e o impossível para o Inverno não trazer mais desgraças, enviam-se equipas para zonas ditas críticas e espera-se junto ao telefone pelos avisos da Meteorologia. Mas o aterro, embora tão culpado como dizem, continua a crescer e os sistemas de drenagem continuam sem funcionar, assim como as ribeiras continuam estranguladas e os erros do passado ou do presente surgem a flutuar cada vez que chove um bocadinho mais do que seria esperado. A verdade é que, seja culpa do aterro, dos sistemas de drenagem, dos escoamentos entupidos ou das ribeiras estreitadas à força do betão e do crescimento da cidade, desde o dia 20 de Fevereiro que andamos todos a medo, preparados para o pior de galochas numa mão e impermeável noutra. Não podemos continuar assim, aterrados com a chuva ou com os efeitos do aterro, com medo de sair à rua mal começa a pingar, de telefone na mão a ligar para amigos e familiares e a entupir as redes cada vez que a chuva é suficiente para molhar as estradas e a roupa. É preciso encontrar soluções práticas, sem politiquices e sem estandartes de qualquer espécie, antes que a água encontre definitivamente o seu caminho para o mar.