O problema mais grave com que o País se defronta neste momento é a divida externa que não pára de crescer a um ritmo tão elevado que se torna quase incomportável para uma economia pequena e aberta como a Portuguesa. Perante este problema que urge resolver, Portugal e vários governos a nível Europeus têm adoptado um conjunto de medidas de austeridade que de uma forma transversal atingem e afectam os trabalhadores dos diversos sectores, a organização e o funcionamento de vários serviços públicos. Preocupada com os impactos que as medidas de austeridade possam ter no sector da saúde, podendo dilapidar os níveis e as condições de saúde actualmente atingidos, a OCDE na reunião do passado mês de Outubro confirma o progressivo aumento das despesas com a saúde nos vários países e salienta entre outros aspectos, a necessidade de melhorar a gestão dos recursos em saúde adequando os gastos as necessidades em cuidados, tendo em atenção a onerosidade das novas tecnologias, a necessidade de apostar nos cuidados na comunidade as patologias crónicas, os custos com medicamentos, apostando nos genéricos e os problemas demográficos decorrentes do envelhecimento da população. São publicamente conhecidas as deficiências e os constrangimentos do sector da saúde tanto a nível nacional como a nível regional. As varias auditorias do tribunal de contas têm sido incisivas, ao alertar para o constante aumento dos gastos nas instituições de saúde, sem os esperados ganhos em saúde, verificando-se que o recurso as experiências designados inovadores para melhorar os instrumentos de gestão e o funcionamento dos serviços não resolveram os vários problemas diagnosticados ao longo das ultimas décadas, principalmente a nível da produção, da gestão e da admissão de pessoal. A nível da região a equipa que governa actualmente os destinos da saúde, parece estar mais vocacionada para a conflitualidade e a degradação das condições de trabalho dos vários grupos profissionais, destruindo a confiança e a estabilidade fundada, do que resolver os constrangimentos e os problemas á muito tempo identificados e sucessivamente adiados. Onde está o diálogo e o envolvimento dos profissionais. Os prémios e os discursos não chegam para motivar os profissionais e melhorar os cuidados de saúde que o cidadão tem direito. O défice crónico do financiamento da saúde e a obsessão pela redução de custos, num tempo de dificuldade económica têm-se feito sentir em vários domínios, nomeadamente no progressivo aumentando das dívidas a terceiros. Acentuam-se situações de carências crónicas de recursos, assim como alterações nas condições de prestação de trabalho dos Enfermeiros, com consequências negativos nos ambientes de trabalho e na segurança dos cuidados. A permanente falta de dotações seguras de Enfermeiros em muitos serviços é inaceitável quando a região dispõe de quase uma centena de profissionais de Enfermagem no desemprego, sendo tão necessários nos serviços.

Juan Carvalho