Portugal vai ser ajudado financeiramente por Timor. A antiga potência colonial, hoje na elite da União Europeia, vai ter parte da sua dívida pública adquirida por um fundo da jovem nação timorense, a mesma a quem enviou um barco de ajuda humanitária não tem muito tempo. Macau, nestas últimas duas décadas, assistiu ao mais extraordinário desenvolvimento imobiliário e turístico do mundo, sendo que o jogo ultrapassou o volume de negócios de Las Vegas. E a China é comunista! Angola, é um dos maiores potenciais económicos de África, com níveis de crescimento altíssimos, ainda que geridos por uma nomenclatura minoritária que não distribui a riqueza nacional pelo povo. As actividades económicas abundam, a democracia escasseia. Cabo Verde, por sua vez, é um exemplo de gestão controlada, com um sector turístico onde abundam os novos hotéis que todos os anos inauguram. S. Tomé e Príncipe, está em vésperas de beneficiar de um aumento de receitas públicas após acordo com a Nigéria para repartição de receitas do petróleo. Moçambique, ainda não ultrapassou os problemas da concentração urbana em Maputo, mas desenvolve intensa actividade económica no Zambeze, na Gorongosa e em Cabora Bassa. Até Goa, é hoje um dos mais belos e organizados pólos turísticos da Índia, com boa fama internacional. A Guiné é a excepção que confirma a regra. Isto é, a independência deu-lhes a capacidade de prosperarem, o que nunca aconteceu sob o domínio colonial português. A Madeira clama por uma zona franca competitiva. O poder colonial recusa.
Miguel Sousa, Vice-Presidente da ALM