Anabela Sousa Vivemos numa ilha pequena com tudo o que de bom e mau isso implica. Bom é o facto de quase todos nós termos o trabalho a vinte minutos de casa, os nossos filhos andarem em escolas quase ao lado da nossa porta, o Centro de Saúde, ali mesmo à frente, supermercados, restaurantes, cafés em cada esquina, enfim, temos quase tudo à nossa mão e por isso quando vemos nas noticias grandes engarrafamentos e filas intermináveis de transito, pessoas que demoram uma, duas ou mais horas só para chegar ao emprego, achamos que efectivamente estamos num cantinho do céu e que não há como a nossa terra. Aqui nesta pequena ilha pudemos sair do trabalho, ir buscar os miudos à escola, ir a casa tomar um duche, retocar a maquilhagem, comer uma sopa e ainda ir ao cinema à secção das 9. Penso que estas facilidades que começam por ser coisas boas, viram-se com o tempo contra nós e embrutecem-nos. Achamos que temos uma vida " porreirinha", é verdade que nem ganhamos grande coisa, mas também, trabalhamos ali ao lado, temos filhos em escolas que não têm dinheiro para fotocópias nem papel higiénico, mas que importância tem isso, temos vias rápidas, tuneis, pontes e num instantinho os nossos filhos estão nas aulas, pagamos muito mais caro, que noutras zonas do pais nos supermercados, mas pelo amor de Deus, na verdade estamos mais bem servidos do que eles, porque temos um Pingo Doce na rua A, um Modelo na rua B e um Sá na rua C. Temos um hospital a cair de podre, mas estamos a construir um estádio que vai ser o orgulho da Madeira, vai ser um "caldeirão" e pêras. Temos doentes, principalmente idosos, abandonados em hospitais, não há dinheiro para mais lares, mas dahhhh... nunca viram o filme "Este país não é para velhos ", claro que não, a nossa ilha é moderna, somos superiores, jovens, bem vestidos. Temos um Diário de Noticias, que pode ser comunista, fascista, mas que informa, que ganha prémios, que não vive de subsidios, mas que se lixe, não precisamos dele, temos o grande Jornal da Madeira, completamente independente- Amen - a mexer no nosso bolso. Temos a festa do pêro, da cebola, da castanha, do vinho, da anona, mas os agricultores estão cada vez mais pobres, porque mais importante é arranjar dinheiro para os cartazes, foguetes, jantares e pagar o caché do João Baião. Somos um povo trabalhador, solidário, sofrido e por isso quem nos representa, tanto Governo como Oposição está sem duvida de parabéns. Como recompensa de tanto trabalho e de terem de ir a tantos comicios, ofereceram a si próprios um..um... maravilhoso Jakpot milionário, para financiarem os seus partidos.