Rui Nunes Em Fevereiro estávamos desprevenidos. Choveu o que choveu e foi o que se sabe. Ribeiras cheias, as encostas que jorravam água, as estradas que mais pareciam ribeiras, casas derrubadas, carros arrastados, feridos, mortos e desaparecidos. Culpados nem vê-los, é mesmo assim. Desculpas muitas. A Madeira tem uma orografia muito difícil, há poucos lugares onde deitar os entulhos e tudo o que não queremos em casa, etc, etc. Em Outubro durante umas horas quase revivemos tudo o que se passara oito meses antes. A avenida do Mar e as ruas da baixa citadina transformaram-se numa piscina lamacenta onde todos os entulhos foram desaguar. Enquanto chovia as escolas pediam aos pais para irem buscar os filhos e como resultado foi uma confusão monumental no trânsito. Um pára arranca interminável que enervava as pessoas. E a chuva caía que Deus a dava. Sarjetas entupidas, tampas de esgoto levantadas tal e qual ratoeiras armadas à espera da presa. 25 de Novembro, dia de semana, hora de almoço, as ruas e estradas cheias de carros. Chove desalmadamente e a chuva teima em não entrar nas sarjetas. Chuva, grossa, intensa e teimosa ou talvez não. Pois se lhe taparam o caminho natural até ao mar é natural que se acumule onde não deve. É natural que se acumule nos lugares onde nós os "engenheiros do progresso" queremos. Naturalmente que a chuva não tem culpa de nada disto. Sempre choveu e choverá. Compete-nos a nós que teimamos em contrariar a natureza minimizar os seus efeitos. Não poderemos andar toda a vida sujeitos as avisos de mau tempo e aos alertas ora amarelos ora laranja. É chegada a altura de abrirmos os olhos aos sinais que a natureza nos dá. Estas situações serão cada vez mais frequentes. Não basta meter um impermeável e umas galochas na bagageira do carro. Felizmente hoje está um belo dia de sol. Pelo menos até ao meio dia.