Assinalou-se recentemente mais um Dia Internacional do Combate à Violência contra a Mulher. Mas um dia não basta! É um fenómeno complexo, que tem assumido, por todo o mundo, proporções bastante elevadas. Apesar de ser considerado um flagelo antigo, só recentemente se tornou um problema social, fruto de uma maior sensibilidade e intolerância perante a violência. Não podemos ficar indiferentes quando nos mais diversos meios de comunicação social noticiam a morte ou a mutilação de inúmeras mulheres a quem lhes foi retirada a dignidade. Este tipo de violência tem vindo a aumentar, mas ainda se trata de um fenómeno de grande opacidade, que permanecerá, se não se promoverem estratégias adequadas de abordagem e intervenção. Não obstante os vários Planos Nacionais Contra a Violência Doméstica e o enorme avanço nas medidas jurídicas, não há ainda uma tomada de consciência pública e, por conseguinte, continuamos com um longo caminho a percorrer. A legislação é uma porta aberta, facilitadora da resolução dos problemas, mas se a atitude e a mentalidade dos cidadãos não mudar, de pouco serve. As acções de sensibilização, de informação, as campanhas de educação de homens e mulheres, sobretudo jovens, são a chave para a prevenção e para o apoio. A raiz da violência assenta ainda nas visões distorcidas dos papéis e responsabilidades no relacionamento entre homens e mulheres. Por isso, as sociedades precisam de encontrar as suas próprias soluções, compatíveis com as suas culturas, baseadas numa perspectiva de justiça e igualdade entre os géneros.
Isabel Sena Lino, Deputada Municipal do PS