É como se estivéssemos a chegar ao fim da linha. E é também a desilusão para uma geração que cresceu acreditando que a Revolução nos tinha trazido a promessa de um Estado-providência forte e justo para com os mais carenciados na Saúde, Educação ou Justiça. É isso que, goste-se ou não, está inscrito na nossa Constituição. E não é este governo que está para cair. Cairá como os anteriores. Quem está a desaparecer é o Estado tal como o concebemos desde a implantação da democracia representativa em Portugal. A título de exemplo, a falência da Segurança Social portuguesa equivale a dizer que, a prazo, os que continuam a trabalhar não conseguirão produzir o suficiente para pagar as reformas - cada vez mais miseráveis, note-se - dos que já se reformaram. E o que está a acontecer na Irlanda não demorará a chegar a Portugal. Cortes de 25 mil postos de emprego, diminuição do salário mínimo nacional, subida do IVA e diminuição drástica das despesas do Estado com as políticas sociais, a que acrescem a intervenção do FMI. O que está em causa para Portugal não é apenas ultrapassar a "crise" e descer o défice para 3% do PIB (meta de Bruxelas), mas antes a continuidade do Estado assistencialista como o entendemos. Um Estado não utópico mas possível e existente na Escandinávia, como o idealizado por Olof Palme, na Suécia, na década de 70. E o Estado não é uma entidade abstracta. O Estado somos nós. E está nas nossas mãos exigir uma política de distribuição dos dividendos, liberal ou conservadora, mais justa. Isto é, com aplicação da Justiça e evitando a evasão fiscal e uma descompensada distribuição dos impostos. Se o trevo é o símbolo da Irlanda, a nós por estes dias convinha-nos um de quatro pétalas... [email protected]
Luís Sena Lino, Consultor de Marketing