Neste mês de Novembro que está a chegar ao seu termo, a Madeira foi notícia em diversas ocasiões na media nacional, umas vezes pela positiva e outras pela negativa. Dentre essas notícias, há duas que escrevendo de fora da Madeira, como eu, bem justificam ser registadas. Bem pouco pela importância que merece, mas sobretudo pela sua bizantinice, é o facto, que é inédito de, no ano em que se comemora o primeiro centenário da implantação da República, ter emergido uma candidatura à Presidência, com origem na Madeira. Bem longe das razões que fazem da Madeira notícia apetecida, é pela negativa, que mais uma vez se volta a falar no deputado do PND na ALRAM, José Manuel Coelho, que se permitiu aparecer em sessões do plenário, ostentando uma bandeira com a cruz suástica, e em outra ocasião, trazendo um enorme relógio pendurado ao pescoço, manifestações qualquer delas de uma inaceitável falta de respeito pelas instituições democráticas, como então escrevi. É pois, José Manuel Coelho, que se afirma comunista e é representante do PND - partido fundado por Manuel Monteiro, figura digna e merecedora de respeito a nível nacional - quem aparece agora como candidato à Presidência da República, servindo de alguma chacota, mas a que se não pode ficar indiferente, quando se trata de uma tal candidatura, ao mais alto órgão de soberania de Portugal. Num pólo oposto, a atribuição ao Diário, pelo European Newspaper Award, do galardão de "Jornal Local Europeu de 2010", que foi notícia de "caixa alta" em toda a media nacional, é facto inédito e notável, que colocou a Madeira em destaque, desta vez, registe-se, sem dúvida alguma, pela positiva. Não obstante o significado e a importância da distinção, dir-se-ia que em alguns sectores, a nível local, terá havido uma preocupação em aparentar indiferença, quase menosprezando o simbolismo da distinção, por razões menores, a que por outras razões, já aludia no meu artigo de 31 de Outubro, anterior à atribuição do galardão. Fruto de alguma insensatez, irresponsabilidade e muita leviandade, como então escrevi, repetindo o que também já antes afirmara, acrescentei ser tempo, para que o bom senso retorne e apareça a tal solução equilibrada que mercê de uma análise criteriosa, com sentido das realidades, com os pés bem assentes nesta terra que é de todos e para todos nós e, de vez, se ponha termo a diferendos e a excessos por demais deslocados no tempo. De fora da Madeira, aqui deixo, pela positiva, uma vez mais o apelo "pela Madeira, sempre!"

Francisco Leite Monteiro