João Freitas Cada vez que na nossa Ilha ocorre chuva com alguma intensidade observamos, com tristeza, que o nosso litoral de azul marinho transforma-se numa massa líquida de cor castanha. São muitos metros cúbicos de materiais que escorrem encosta abaixo em direcção ao mar. Os biólogos têm explicado que a continuidade desta situação levará à extinção da vida no fundo marinho junto ao litoral. Este facto tem sido confirmado por alguns mergulhadores que descrevem que a água é cada vez mais turva, sendo de menor visibilidade e por consequência de menor interesse para fazer mergulho nessas zonas por não ser possível observar a vida marinha. Esta escorrência de terra até ao mar ocorre há vários anos devido a aterros mal planeados e sem as necessárias estruturas que tal evitassem. Os incêndios florestais deste Verão, verificamos que agravaram a situação. Após o dia 20 de Fevereiro ficamos a saber que alguns dos aterros contribuíram para a insegurança das populações. A nossa Ilha tem um potencial no mar para a prática de actividades que possam atrair nichos de mercado turísticos. Contudo a situação exposta cada vez mais está a reduzir a área do nosso mar com condições necessárias para a prática dessas actividades, de modo especial o mergulho. Até ao momento não conhecemos a perspectiva ecológica dos turistas que nos visitam quando também observam tais situações. Mas não será difícil imaginarmos o seu pensamento... Do desenvolvimento ocorrido na nossa Ilha, com o tempo, vamos percebendo que nem sempre a sua sustentabilidade foi devidamente estudada e por conseguinte aplicada.