Duarte Caldeira Ferreira No século passado existiam no Funchal algumas pessoas, de um modo geral, conhecidas de grande parte do público, devido ás suas "habilidades", mais propriamente entre as décadas de 50 a 70 e que foram desaparecendo á medida que morriam, sem qualquer tipo de substituição, porque o protogonismo passou para uma única pessoa… Estamos a lembrarmo-nos, por exemplo no domínio da "mentira" do 1º de Abril e do trinta e dois de Março ( este á espera de vaga par 1º de Abril), no domínio das calinadas, o "dr". Abreu ( que de dr. nada tinha) e o senhor Freitas, mais conhecido por Pepe da Banana ( assim designado por se dedicar á comercialização de banana de 2ª - a que não tinha qualidade para ser exportada. Esta recordação veio á minha memória devido á ameaça feita pelo "poleiro" de despedir os médicos ortopedistas do Hospital do Funchal, caso não alinhem com o poder. Esta novela tem sido muito vergonhosa para os madeirenses, vergonha essa provocada pelo "poleiro", com o seu habitual tipo de linguagem, de chantagem, de ameaças para intimidar aqueles que lhe fazem frente, ou que simplesmente pretendem corrigir o que está errado. Finalmente surgiu quem não se intimidasse, principalmente, num sector que tem andado ás "turras", desde que a actual administração tomou posse, colocando médicos contra colegas, com graves prejuízos para a saúde pública. Há directrizes impostas, sem o mínimo de dialogo, não importando o que se faz, desde que as ordens do "poleiro" sejam cumpridas, mesmo que os utentes sejam os prejudicados, promovendo, em grande parte dos casos, os menos competentes e escorregaçando os melhores ou fazendo com que estes acelerem a sua reforma. Veja-se o diferendo que se passa com a própria Ordem dos Médicos e, também ela, ameaçada pelo próprio "poleiro", que certamente já deve estar a pensar em financiar uma qualquer candidatura, desde que, também, lhe obedeça. Uma das personalidades referidas atrás, era muito conhecida por algumas das suas frases, para além do espectáculo que dava na prancha de saltos do moribundo Lido. Subia as escadas até ao topo e começava a fazer "exercícios de aquecimento" e só mergulhava quando a maioria dos banhistas ali presentes estava a olhar para si. Mal deitava a cabeça fora da água, esticava-se todo para ouvir os aplausos, mas quando os banhistas resolviam não aplaudir, saía do mar todo murcho porque o seu "ego" não tinha tido aplausos. Teve também algumas frases que ficaram célebres. Conta-se que uma vez, num baile organizado por estudantes, pretendendo conquistar um par para dançar, seguiu a rapariga escolhida até á porta da casa de banho. Quando ela saiu, em tom de meter conversa terá entrado mais ou menos desta maneira " com que então, uma mijinha"… Outra das frases que correu a Ilha, conseguindo, mesmo sair da nossa insularidade, poderá adaptar-se a esta situação de ameaças e chantagem que se vive nesta Região. Quando conseguia conquistar uma estrangeira, oferecia-lhe um passeio no seu grande carro, que durante o dia servia para transportar bananas e depois de limpo, era utilizado nas suas conquistas nocturnas, dirigindo-se, de um modo geral para as zonas serranas do Funchal. Como táctica de engate, usava sempre a mesma frase, quando já se encontrava a meio dos pinheiros: " Or let or street"...