"Pior do que um país com ricos e pobres, é um país só de pobres." É confrangedor ouvir o tom excitado e ululante utilizado pelos profissionais do "dolce fare niente" quando comentam os números relativos à adesão à greve geral. O objectivo destes senhores que pouca vontade têm de trabalhar, não é construir um país melhor, que produza mais riqueza, mais desenvolvido, enfim, mais civilizado. O seu grande objectivo é nivelar por baixo, cantar odes à mediocridade, celebrar o miserabilismo. Não tenho a mínima dúvida que esta greve geral resultará em pleno. Julgo mesmo que a partir de Dezembro a taxa de desemprego baixará, o Produto crescerá, a deficit minguará e o nível de vida dos portugueses atingirá patamares inimagináveis. Se há algo pela qual este país ansiava sofregamente era uma greve geral, mais uma oportunidade de se passar um dia sem nada fazer, sem produzir, sem dar mais confiança aos que nos financiam, sem sedimentar a nossa credibilidade. Mas não, os princípios de Abril não morrerão, Revolução sempre, aos sindicatos ninguém calará, o povo unido jamais será vencido, morte aos ricos e aos senhores do capital...... Por favor, porque é que a minha geração e as que vêm a seguir têm de aturar estas palermices, nós crianças de Abril, há muito que percebemos que anos e anos deste tipo de discurso e atitude conduziram o país a esta desgraça, alguns cretinos espertalhões aproveitaram-se de um movimento cujas intenções eram benignas para deste país fazer um pasto de preguiça, gratuitidade, igualitarismo, mediocridade. Apenas pedimos que se retirem de cena e não nos prejudiquem mais, por obséquio. Este é um país viável desde que a mentalidade rústica e espertalhona desapareça. Chegou o tempo dos sacerdotes do cravo se recolherem em meditação e terminarem os seus dias em profunda reclusão contemplativa.
Carlos Rodrigues, Empresário