O congresso nacional dos agentes de viagens portugueses traz à Madeira neste fim-de-semana cerca de 400 delegados representantes de uma considerável percentagem das agências de viagens que trabalham no espaço português. Para a Madeira é uma oportunidade interessante para mostrar o seu produto, inalterável nalgumas das suas características mais importantes, se tivermos em conta que o que se pretende ‘vender’ e mostrar são as belezas da ilha, nomeadamente as suas paisagens, a beleza que os postais e os cartazes focam, quando anunciam ao turista que a Madeira vale a pena para uns dias de descanso e de contemplação. Mas é também uma excelente oportunidade para mostrar que a recuperação está em curso e agradecer a todos os Portugueses a solidariedade que manifestaram, com carinho e prontidão, nessa ocasião em que nos sentimos mais fragilizados. “Liderança na recuperação’ é o tema do congresso. A frase não é apenas uma particularidade dedicada à Madeira. Tem a abrangência que a leitura proporciona e deve ser entendida num todo em que é imperioso que haja liderança para que o turismo nacional recupere o que tem perdido nos últimos anos. Curiosamente os últimos números disponíveis mostram recuperação, aumento de negócio e de turistas na maioria das regiões portuguesas. E também na exportação, no seu todo. A avaliar pelas vendas de bilhetes de avião, os níveis de receitas recomeçaram a animar o mercado e a mostrar que os portugueses sempre compram, e mesmo que em menor quantia, não deixam, por isso, de viajar. Há mercados com grande crescimento, e os negócios que hoje se fazem com outros países de economias emergentes animam as receitas e substituem os tradicionais pacotes de férias, mais procurados na época de Verão ou em outras quadras festivas. Essa recuperação ainda não chegou à Madeira. O mercado está a digerir os efeitos das enxurradas de Fevereiro e verifica-se alguma falta de meios para levar com a mesma celeridade das más notícias, as boas novas e a nova oferta turística que se constrói pela mão dos homens. A Madeira tem novos produtos hoteleiros e de animação turística que precisam ser mais divulgados, está numa época de mudanças, ditadas pela modernidade e pela actualização de conceitos de alojamento e de oferta de lazer, consubstanciada na procura. O prémio atribuído recentemente à Laurissilva da Madeira, a permanente exposição do arquipélago nos meios de comunicação social nacionais, são sempre motivos interessantes para lembrar a nossa existência, quando as razões que nos tornam motivo de notícia são boas e positivas. É neste andar que nos devemos empenhar, aproveitando as oportunidades e a mão que nos dão, mesmo que isso tenha alguns custos, além da contratualização da promoção e dos incentivos com que, voluntariamente ‘compramos’ voos e turistas. Não que esteja contra esta postura, mas por que considero que nesta actividade temos de nos convencer que quem ganha o negócio é quem paga mais ou tem mais orçamento. Nem sempre os beneficiários concretizam as expectativas que procuramos construir, com muito sacrifício… O congresso da APAVT e os agentes de viagens portugueses, responsáveis pelo nosso maior mercado, que é o nacional, estão na Madeira. Agradecemos a escolha, mas temos de aproveitar para que partam da Região Autónoma convencidos e cientes de que a oferta hoteleira melhorou, que as ilhas continuam a receber bem e que aqui o profissionalismo está implantado desde há muito e com resultados confirmados em todas as latitudes. Não nos convençam a baixar mais preços, nem procurem alimentar-se da desgraça dos quartos vazios para comprar a pataco o que vale mais, embora, nos últimos meses, tenham comprado por pouco a qualidade superior que não temos conseguido vender a preço certo. A sustentabilidade de um destino, que integra a oferta de um País de tradição turística, mede-se também por esses resultados. E pela atitude que tomamos no mercado. Todos, vendedores e compradores. Sejam bem vindos. Não só para o vosso congresso, mas sempre que lhes apetecer, porque estou certo de que a boa recepção e a hospitalidade que dispensamos a todos não depende da ocasião.