Escrevo em dia de greve geral. E há tanta coisa, tanto assunto para escalpelizar. Como a de um clube centenário, nascido junto ao mar e por homens do mar, que desbravou caminhos na Madeira antiga e na autonomia vigente, que se tornou no mais popular clube das ilhas e que, hoje por hoje, parece ser um alvo a abater. Mas é (foi) dia de greve. Podia escrever sobre a confusão que hoje é feita, aqui e além mar, de um clube do povo com o 'regime jardinista' desde que este se imiscuiu na vida do clube e com ele se associou em SAD. Mas é (foi) dia de greve. Podia escrever que, talvez por isso mesmo, que o combate político da oposição se estende igualmente ao Marítimo. Mas é (foi) dia de greve. Podia escrever que tudo o que mexe nesta região, em termos desportivos, vive (agora apenas sobrevive) com os subsídios que o governo regional estendeu a todas as colectividades e associações. Mas é (foi) dia de greve. Podia ainda escrever que o Marítimo está doente e fragilizado, fundamentalmente pelos resultados desportivos que desesperam os mais moderados (pois, a tal velha questão da gestão desportiva), e que é sempre mais fácil atacar quem está fragilizado. Mas é (foi) dia de greve. Ah, podia falar que a acção popular movida contra o estádio dos Barreiros, se calhar, e tendo em vista os seus promotores e os argumentos utilizados para tal, se confunde em ataque ao tal 'regime' e deixa o rival a esfregar as mãos de contente. Mas é (foi) dia de greve. Devia lembrar que outros estádios, feitos em zona verde e com os nossos dinheiros, não mereceram a mesma atenção destes senhores atentos ao bem da Madeira. Mas é (foi) dia de greve. Claro que podia falar que é nestes momentos difíceis que os clubes necessitam de um líder forte e congregador de vontades e energias, não estivesse, também ele, fragilizado por todos os acontecimentos recentes e pelo desperdício de energias contra moinhos de vento. Pois sim, foi dia de greve geral. E, de facto, neste momento particularmente difícil para a vida dos portugueses, há coisas mais importantes que os problemas que assolam o futebol e os clubes. Como diz o outro, que se amanhem.

Emanuel Rosa, Repórter desportivo