Sabendo que David Fincher só pega em bons argumentos e é mestre em lidar com personagens tão inteligentes e perturbadas (“Seven” e “Fight Club”), a minha curiosidade aguçou-se com a estreia de “Rede Social”. Não sendo grande utilizadora ou conhecedora destas redes, mas sabendo a importância que adquirem para alguns, queria conhecer a figura que pensou e criou o Facebook. A sessão de final de tarde estava quase vazia. Estranhei. Afinal, o filme prometia a história de um “lugar” onde tanta gente se encontra, preferindo-o a um livro, um encontro com amigos “reais”, ou mesmo, claro, uma ida ao cinema. Penso que a meia duzia de pessoas presente não se arrependeu do que viu e saíu com matéria para reflectir. Conforme já tinha desconfiado, Fincher encontrou em Mark Zuckerberg mais um “cromo” de estimação. Um jovem solitário e brilhante resolveu dificuldades de socialização e arranjou forma de angariar milhões de amigos de forma rápida e pública, com a vontade inicial de pertencer a um clube exclusivo. Através desta figura percebi que não estava a ver um filme sobre a internet. É sobre a natureza humana, sobre temas tão antigos como a inveja, o poder e a paixão, mas não deixa de reflectir uma época. Se em “American Graffiti” George Lucas olhou sobre a sociedade Americana nascida com a televisão, e os MacDonalds, o realizador de Denver tira aqui o retrato a uma geração global alimentada a tecnologia digital. A história é tensa, densa e engole-nos em total imersão cinematográfica. O raciocínio e os diálogos quase frenéticos do protagonista não fazem o actor perder o passo ou o fôlego. Estamos com certeza perante um Jesse Eisenberg que encontrou em “Rede Social” o trampolim para uma carreira de estrelato! Saí do filme com a impressão que o mundo está cada vez mais “lá fora”, e que a construção virtual de uma identidade se dilui em mensagens falsamente verdadeiras sobre quem somos e quem são de facto os nossos amigos. O espaço entre a ficção e a realidade não é muito. Não estaremos nós a criar uma sociedade tão fragmentada quanto uma rede social virtual? O cinema tem destas coisas. Faz-nos crescer e pensar na vida….a tal que a arte imita! Já tinha saudades dum filme assim. P.S.: Greve faço hoje e sempre aos “vampiros” e “zombies” que povoam tanto o cinema como os nossos dias.

Teresa Mizon, Apresentadora de TV