Apesar da Greve Geral marcada para hoje, as várias empresas de transportes públicos da Madeira (Horários do Funchal, Rodoeste e SAM) estão a funcionar normalmente, cumprindo horários e carreiras. Alguns trabalhadores da HF disseram mesmo que a "greve está fraquinha". Na Rodoeste, apesar das estimativas feitas pelos sindicatos esta manhã, os trabalhadores garantem que as saídas dos autocarros do Funchal, desde as 7h30, têm sido feitas a horas. "Está tudo normal". A normalidade é comprovada pelos passageiros que garantem que esta manhã conseguiram transporte sem problemas e sem atrasos.
Se nos transportes não se tem notado constrangimentos causados pela greve, o mesmo se poderá dizer das estações do CTT e da Loja do Cidadão. Nas duas principais estações dos correios do centro do Funchal, o atendimento tem estado a funcionar normalmente, sem filas de pessoas e sem reclamações de maior. Também a Loja do Cidadão está a funcionar como em todos os outros dias e todos os balcões de atendimento estão abertos, exceptuando o da Câmara do Funchal.
Mas se a cidade parece estar a correr ao seu ritmo normal, a verdade é que em alguns sectores, a adesão à greve na Região tem sido elevada. Na Caixa Geral de Depósitos e no Banco de Portugal, mais de 90% dos trabalhadores aderiram à paralisação. A UGT afirma que este porém não é o número de todo o sector bancário. Uma adesão elevada à paralisação é o que está a acontecer com alguns serviços camarários, sobretudo os serviços de salubridade. Nos bombeiros municipais, a adesão também ronda os 90%. Ricardo Freitas, da UGT, disse porém que ainda faltam muitos dados relativamente a vários sectores da administração pública, sobretudo ao nível de alguns serviços públicos e também de escolas. Dados concretos só poderão ser fornecidos à tarde, explicou.
Junto à Sé, desde esta manhã, está um piquete de greve do sector da restauração (Sindicato de Hotelaria), devidamente identificado com uma faixa de apoio à greve geral. Luís Fernão, responsável pelo piquete, disse que os trabalhadores da área da restauração estão a ser obrigados a lutar pelos seus direito, devido às leis que têm sido aprovadas recentemente. E embora, esta manhã não pudesse dar números concretos da adesão à greve, mostrava-se satisfeito com alguns dados relativos aos restaurantes/cafés da zona da Sé. "Ali no Apolo só estão três a trabalhar e são 27 trabalhadores. No Golden têm mais de 20 trabalhadores e só 3 estão a trabalhar e no Café Funchal estão à espera do delegado sindical. Esperamos que haja mais".
Mas se muitos grevistas preferem não dar a cara, o mesmo não acontece com José Carlos Silva, professor da Escola dos Louros. Diz que nunca faltou ao trabalho e que nunca antes tinha feito greve, mas decidiu que "hoje era o dia certo para fazer greve". Além de ter aderido, assume também que ontem, na escola onde lecciona, apelou aos colegas para que também fizessem greve hoje, "porque as pessoas têm de perceber de uma vez por todas que estamos a ser enganados há muito tempo e uma das razões fundamentais para fazer greve é o facto da quebra salarial que vai haver relativamente ao próximo ano. Se pensarem bem, há professores que vão perder 340 euros por mês, o que significa que é um ordenado que é retirado aos professores. Não entendo como pode haver professores que não entendem esta situação e continuam a trabalhar quando o Governo toma medidas drásticas como estas". José Carlos não poupou ainda nas críticas quer ao Governo central quer ao Governo Regional e às pessoas que mesmo descontentes não aderem à greve.

