"O idioma é a maior fortuna de um povo"*. Que significado têm, hoje, as palavras? O que vale a palavra: amanhã? Quanto vale um verbo? Nas últimas semanas tenho pensado muito no significado das palavras, no seu peso, no seu valor, na sua importância efectiva. E foi apenas uma coincidência, caro leitor, o facto de ter iniciado, aqui, este espaço de partilha consigo. Os artistas, sejam lá quem eles forem, embora eu esteja a pensar em alguns, sempre foram pessoas atentas ao mundo, ao seu contexto histórico. E diz-se até, de alguns deles, que souberam antecipar o tempo, que estariam muito à frente do seu tempo. No futuro, portanto, mas vivendo o presente. É confuso? Talvez. Mas implica uma vivida lucidez. Desde sempre que muitos se envolvem em manifestações e se expressam, também, através de manifestos escritos. Ainda há bem pouco, uma plataforma, palavra significativa, de várias estruturas das artes, apresentou aos portugueses e aos poderes públicos sobretudo, desacordos e exigências várias, numa espécie de manifesto, desta feita em forma de comunicado: pelo direito à cultura. E amanhã… muitos portugueses, cidadãos trabalhadores desta república democrática que dá pelo nome de Portugal, irão manifestar-se. Muitas palavras serão ditas e escritas. Gostaria que elas fizessem verdadeiro sentido. E que essa acção fosse de avanço e progresso. Para bem da cultura. Para o bem comum. * Frase escrita nas paredes da estação do Metro Lisboa-Saldanha
Carlos Soares, Fotógrafo