Essa coisa de dar a outra face e ignorar as ofensas, pode ser muito bonita, ter raízes bíblicas, mas é anti-natural. Nenhum ser humano, digno desse nome, ouve e cala eternamente. Chega uma altura em que é preciso dizer basta! E reagir. Até Cristo, dizem, pegou num chicote e expulsou os vendilhões do templo.

Ao longo de anos, aqueles de nós que perdem o seu tempo a ler as opiniões escritas num jornal pago com os seus impostos, mas orientado para acabar com os seus postos de trabalho, têm sido bombardeados com as quotidianas faltas de educação de quem desvia verbas do erário para pagar propaganda partidária, mas também têm sido ofendidos e insultados por outros que têm uma carteira profissional parecida com a sua. Pseudo jornalistas que têm procurado servir quem lhes paga, sem qualquer sentido de justiça e honestidade intelectual.

O 'independente deste lado da rua', como é chamado pelo senhor Teixeira, ou o 'diário de notícias', em letra pequena como é designado pelo senhor Jardim, tem gente dentro. Gente que trabalha de uma forma abissalmente mais honesta do que as intenções desses senhores. Por isso, é tempo de dizer chega, não há pachorra para aturar tanta asneira, mentira e insulto.

A solução, óbvia, seria seguir vias judiciais para pedir explicações e uma acção punitiva para tanto insulto - 'súcias', 'vendidos', 'comunas' (este não deve ser insulto), 'meretrizes', etc, etc - mas não vale a pena. Primeiro, porque seria baixar a um nível em que gente decente não cai. Depois, porque a dita justiça não funciona e, desvirtuada por imunidades políticas, perdoa a quem tem poder.

Por isso decidi que, numa sentença sem recurso, não vou ler mais nenhuma das asneiras opinativas publicadas no 'dependente do outro lado da rua'. Dependente porque depende do esforço do meu trabalho e do de milhares de madeirenses que pagam impostos para suportar uma barbaridade daquelas. Desafio os leitores a fazerem o mesmo, porque há coisas que nem dadas têm valor.