José Rodrigues Já há algum tempo que era para escrever esta carta, os dias passaram e esqueci-me, mas como o caso repetiu-se pela 2ª vez, cá estou para não cair de novo em esquecimento. Se dermos uma volta pela cidade do Funchal, vemos monumentos novos ou antigos e edifícios com umas tabuletas em latão ou outro metal qualquer e com letras gravadas à cinzel ou a buril, identificando ou descrevendo os mesmos, tais como; o Pilar de Banger, Palácio de S.Lourenço, Câmara Municipal do Funchal, até num canto "enfezado" da Rampa do Cidrão que quase passa despercebido,tem lá uma placa com uma escrita que nem se nota ou consegue-se ler (falta de limpeza) etc.,etc. No entanto no meio da nossa cidade há uma estátua que não tem sequer esse MÍNIMO PRIVILÉGIO. E tanto da 1ª e 2ª vez assisti e ouvi dois episódios disparatados, um por gozo ou brincadeira e outro por ignorância respectivamente. O primeiro deu-se com um turista que estava num pequeno grupo, a olhar a estátua e perguntar quem era «aquele» "JOÃO GONÇALVES ZARCO", a um madeirense (por acaso até conhecido) que ali se encontrava junto à mesma, que com um bom inglês e com cara malandreca, respondeu-lhe e passo a traduzir já: - "Foi um pirata que quiz assaltar aquele banco ali atrás há bastantes anos, foi apanhado e enforcado, e puseram aqui uma estátua para dar o exemplo, para quem tivesse tais idéias, a partir daí nunca mais o banco foi assaltado, por isso se chama Banco de Portugal, onde se guarda o dinheiro todo do nosso país". Estupefacto com aquela resposta, olhei para o turista que agradecia com o seu 'thank you very much' acompanhado da costumeira vénia à inglesa! Se ele acreditou não sei, mas pode ter passado a mesma informação, erròneamente, o que aliás é mau, aos outros que o acompanhava, se percebeu que era brincadeira também não deu a entender que foi gozado e foi-se embora...Mas eu pus-me a sorrir, por ter achado piada àquela grande imaginação do nosso conterrâneo alí gracejando, que mesmo ao difundir e deturpar uma cultura errada, ria-se também do que tinha dito. À segunda vez, há cerca de uma semana, foi um miúdo continental aí pelo 13/14 anos, perguntando aos pais, quem era aquele homem com uma espada grande, tendo o pai que aparentava uns 35 anos respondido; - Acho que era um Rei da Madeira como o Afonso Henriques...Ele "achava (?!)", eu na minha 4ª classe e admissão em 1962, creio que sabia a história de Portugal quase toda, mais do que estes jovens de agora com o 12º ano e quem sabe se mesmo com cursos superiores hoje em dia, basta ver os concursos televisivos e perguntas de rua, as respostas mais parvas e espantosas que dão! Pois é, ... SENHOR PRESIDENTE da Câmara Municipal do Funchal, DÊ UM JEITINHO, veja se há alguns trocos nalguma verba e ponha ali no sopé daqueles degraus de granito, uma placazita em latão ou cobre, a dizer quem foi ou era "AQUELE HOMEM" do qual de nome ali se sabe que é sòmente, JOÃO GONÇALVES ZARCO. Escrevam sua naturalidade, quando nasceu e morreu, o que descobriu, o que fez e não fez, enfim um pouco do historial daquele que foi o descobridor desta linda Ilha...Ele merece pelo menos ali um memorial, que narre os seus feitos e eventos na sua era! É lastimável que com tanta idéia e vontade do sr. PRESIDENTE da CMF, de fazer sempre e melhorar algo nesta cidade, nunca tivesse reparado nessa falta ou falha, há mais tempo. Já agora não era má idéia, uma limpeza na estátua e cobri-la depois com um verniz brilhante insoluvel à água chuva, à semelhança de outros países europeus que tratam bem suas estátuas que são belíssimas obras esculpidas.