Na caixa de correio electrónico recebi um email do Sindicato dos Professores da Grande Lisboa onde se afirmava que um Professor Auxiliar que tivesse entrado para a carreira em 2002, estará a perder mais de 42.000 € em relação à expectativa de ganho para o período de 2002 a final de 2011 que tinha quando entrou para a carreira. Este email despertou a minha curiosidade. Pensemos que um jovem Doutorado entra para a carreira docente como Professor Auxiliar a 1 de Janeiro de 2002. Ele conhece a tabela salarial para 2002 e sabe que o seu salário é de 2885,47 €, que tem um mudança de escalão de 3 em 3 anos e que ao fim de 9 anos se não tiver subido de categoria nem tiver sido despedido estará a receber 3.625,34 € se a tabela se mantiver, ou seja este é o valor que ele pensava que estaria a receber no dia 1 de Janeiro de 2011. Para sua grande infelicidade o que irá receber é cerca de 2.900 €. Como se compara este valor com o que ele esperava receber? Tendo em conta a evolução dos preços entre 2002 e 2011, vai receber 67% da sua expectativa ou 85% do salário real com que começou a trabalhar. Se este Professor não era "advinho" deve ter feito a compra da sua habitação baseado nas suas expectativas. Agora a receber 67% do valor que esperava, vai, por certo, ter muitas dificuldades em cumprir os seus compromissos e temer que piores dias ainda venham. Mas o problema não é só deste professor pois se consultarmos o Ranking of the Portuguese Economists na net e utilizarmos o ranking baseado nas citações na ISI Web of Knowledge vemos que 8 dos 10 autores de artigos escritos de 2001 e 2009 mais citados estão a trabalhar no estrangeiro; uma década antes eram apenas 6. Se continuarmos a fazer cortes cegos no Orçamento fazendo como a avestruz, enfiando a cabeça na areia, talvez daqui a 10 anos já todos os melhores investigadores portugueses em Economia estarão a viver fora do País. Um País que perde os seus melhores não tem futuro. Termino com uma nota positiva. A Universidade da Madeira foi a melhor das Universidades Portuguesas no ranking acima referido pois foi a que teve maior número de citações por autor de artigos escritos na última década.

Pedro Telhado Pereira, Professor Catedrático da Universidade da Madeira