Na semana passada o Ministro dos Negócios Estrangeiros afirmou que é urgente uma mudança profunda no Governo e que o País precisa de uma coligação. Esta afirmação parece-me ser uma clara confissão das limitações do actual executivo e uma consequentemente prova evidente da total incapacidade do governo socialista em alterar o rumo trágico do País. No entanto, os habituais analistas insuspeitos vieram a público declarar que estas palavras eram um sinal para que o PSD assumisse responsabilidade sobre a estabilidade governativa. Dando cobertura ao mito que o PS agora tenta criar que afinal a irresponsabilidade dos últimos anos tem que ser partilhada com o PSD. Ignorando que o PSD liderado por Manuela Ferreira Leite avisou até às eleições de 2009 o que se estava a passar no País, sempre negado pelo PS, com a cumplicidade total do Banco de Portugal e não só. O PSD em 2010 apenas aceitou o PEC II, pois tratava-se de uma urgência e o que estava em causa era o interesse nacional, como também agora no Orçamento de Estado para 2011 apenas admitiu negociar para alcançar melhorias significativas para as famílias portuguesas, como são as deduções fiscais e a redução do IVA em alguns bens alimentares. Mas julgo que a paciência do PSD chegou ao limite, agora não haverá muitas mais oportunidades. Os Portugueses não querem mais adiamentos e acordos, mas pretendem sim quem os governe com capacidade. Se o PS reconhece que não está em condições, nada mais resta do que devolver aos portugueses a decisão sobre o futuro do País, onde o PSD cada vez mais se assume preparado e capaz de fazer uma verdadeira coligação nacional, mas apenas com os Portugueses.

Jaime Filipe Ramos, Deputado do PSD-M