Quando não existe tradição nem consciência cultural, artística, social, política, nem nada, sentimos estar num beco que parece não ter saída e é-o somente porque estamos no fim do mesmo de frente para a parede. Talvez se nos acostarmos à parede e olharmos para a frente encontraremos uma outra perspectiva, quem sabe! Ainda assim resta-nos, caso queiramos olhar para a frente onde está a parede, subirmos e bem no alto olharmos para o longe… Quer-me a mim parecer que o que importa é preservar o Homem, em toda a plenitude, durante a sua existência. Importa saber que enquanto cá estivermos a passar o nosso tempo sejamos alvos de toda a apreciação e valorização necessária, que merecermos, para que possamos construir para proveito de todos, sem esquecer também o nosso, tudo aquilo que de bom poderemos desenvolver através dos nossos atributos, sejam eles quais forem. De que nos importam todos os belos monumentos feitos pelo Homem se não lhe dermos a dignidade merecida, no presente, para que ele usufrua da beleza que é capaz de moldar com as suas próprias mãos? De que nos importam ficar com belos manuscritos para a eternidade se durante a vida dos artistas que os conceberam, eles viveram-na de forma miserável para que mais tarde somente os outros pudessem usufruir dos seus méritos? De que nos importam os extraordinários momentos de beleza exteriorizados no teatro, na dança, na música, nas belas artes se aos seus executantes não lhes foi dado o apoio para que pudessem honestamente desenvolver o seu dom? O importante não é somente o idealizar e o conceber arte, durante a vida, como artistas. O importante é também ser-se presenteado, durante essa mesma vida, pelos momentos de beleza artística que se construiu para usufruto de todos.
Eduardo Luíz, Actor