Gil Canha Parece que o "Beco da Fruta" teima em dar muita fruta, neste caso, "fruta urbanística apodrecida". Em resposta a um leitor que escreveu duas cartas nesta secção, criticando duramente o licenciamento de um edifício, actualmente em construção na Nazaré, "Beco da Fruta", vi-me na obrigação de prestar um esclarecimento público, que foi divulgado neste espaço a13 de Novembro. Em reacção a esse meu escrito, o DN publicou uma resposta do meu ilustre colega de vereação, o Sr. Eng. João José Nascimento Rodrigues, que merece os seguintes reparos: Volto a afirmar que o tal projecto aprovado no dia 15 de Julho de 2010, não cumpre o PDM, pois o regulamento não permite CONSTRUÇÃO CONTÍNUA para aquela zona, facto que o Sr. Vereador se esqueceu de explicar. (Para quem não sabe, a Câmara aceitou que o edifício actualmente em construção possa encostar ao edifício agora licenciado) Depois, tenho muitas dúvidas relativamente à medição da cércea, tanto que a técnica da autarquia que analisou o projecto escreveu que era "aceitável", ora em urbanismo não existem meios-termos, ou é ou não é! A finalizar, volto a acusar a Câmara do Dr. Miguel Albuquerque de anarquia urbanística, em que estes dois lamentáveis casos são exemplos flagrantes: no PDM aprovado em 1997, nas zonas Habitacionais de Média Densidade, o Artº 34, alínea C, previa o número máximo de 3 pisos para estas zonas, precisamente para não nascerem edifícios, tipo "paus de sabão" no meio de casinhas ou de edificações de habitação colectiva de pequena dimensão. Ora, nas alterações ao PDM, introduzidas em 2008, essa alínea é suspensa, passando o número de pisos a ser calculado pela famigerada fórmula manhosa da cércea, (ela própria um mar de contradições, que conta com variáveis do arco-da-velha, desde a linha natural do terreno até ao beirado ou platibanda, que conforme a cara do freguês, pode dar ou não, para mais um piso recuado), o que perverteu completamente a intenção inicial do urbanista. No caso dos dois edifícios do Beco da Fruta, em vez de três pisos, temos ali cinco pisos, menos um piso, que em zonas Habitacionais de Alta Densidade, o que já de si é um escândalo, e que levou o tal leitor e muitos outros munícipes a levarem as mãos à cabeça.