Proponho um desafio: Imagine uma família em dificuldades (Não é difícil nos dias que correm). Com uma ameaça de falência em cima dos ombros. E o que faz para resolver a questão? Põe os filhos à fome e convida a nata da sociedade para um banquete onde não falta nada. Depois presenteia os convivas com as melhores prendas, mostra que sabe receber como ninguém e fica à espera que haja reconhecimento, em jeito de solidariedade, e os seus problemas sejam todos resolvidos por quem pode.

No fim, recebe os devidos agradecimentos, os convidados posam, sorridentes, para o fotógrafo, o anfitrião fica com a conta para pagar e ainda chama os filhos para os trabalhos de limpeza. Argumenta, contudo, que foram feitas coisas importantes. E fica indignado com a incompreensão dos seus descendentes a quem chama ignorantes.

É mais ou menos isto que acontece com o país. Não desfazendo das instituições decanas e da sua importância na manutenção da paz mundial, a verdade é que a crise é, para os portugueses, mais relevante que as ameaças terroristas que, felizmente, não sentem na pele. É uma questão de prioridades. E sempre se ouviu dizer que quem não tem dinheiro não tem vícios. Por isso, sentem-se como filhos da família disfuncional que na altura de imposição de poupança prefere endividar-se e apostar os últimos tostões (que neste caso são milhões) num bilhete da lotaria e rezar para que dê certo.

É que se se perguntar às pessoas o que é mais importante: Lisboa receber a cimeira da NATO ou Portugal ter ganho ao actual campeão do Mundo num jogo amigável, por quatro sem direito a resposta, não tenho dúvidas para que lado pende a balança. Calculo, que o leitor também não. Ao menos põe-nos a moral ao rubro. É caso para perguntar: “E o burro, sou eu?”.

P.S. O cenário não melhora se se convidar os filhos e a festa for mais popular, regada a vinho seco e com macarrão a acompanhar. Por cá, o desnorte na gestão dos dinheiros públicos pode ser menos elitista, mas não menos irresponsável. Com uma agravante: Aqui pode-se aumentar impostos (tendo mão para não o fazer) e ainda assobiar para o lado e atirar as culpas para quem governa no Continente. O burro aqui não é ele, é certo.