A sustentabilidade está na ordem do dia. Em todos os sectores tem se verificado que há uma nova sensibilidade para esta questão, que não se prende apenas com as energias renováveis que abrem oportunidades para novos negócios em todo o mundo, ou com áreas diversas de serviços que se cruzam com a sustentabilidade urbana e a eficiência energética, com a sustentabilidade na mobilidade, (com a entrada no mercado e aperfeiçoamento de veículos menos poluidores e amigos do ambiente) ou com a sustentabilidade dos oceanos, no caso particular de Portugal, onde há também muito para fazer. A sustentabilidade surge normalmente associada à preservação do ambiente. Trata-se de uma disciplina que tem conquistado os cidadãos mais avisados e melhor formados e que abrange uma série de procedimentos que, ao fim e ao cabo, implicam e constam de um código de boas práticas. A questão acelerou e ganha em cada dia mais adeptos e defensores, pois a sociedade está hoje confrontada com resultados trágicos de todas as asneiras e erros cometidos, numa exploração desenfreada de recursos naturais e de posturas menos convenientes e éticas. O turismo sustentável é um sector de actividade que tem conquistado adeptos, pois os cidadãos são cada vez mais exigentes e sabem bem, quando viajam, o mal que o desenvolvimento sem regras provoca em qualquer destino. A Madeira (e os madeirenses), não obstante os erros cometidos, com influência directa na qualidade do produto turístico, dadas as suas características, em que a Natureza assume um cartaz preponderante, sabe quão cara e actual é esta questão. A recente decisão das entidades turísticas em envolver-se na matéria é uma razão que nos anima e que lança um desafio que não deve ser encarado como uma obrigação dos empreendimentos e empreendedores, mas antes uma atitude de todos quantos se integram no negócio, aparte as modas que possam nortear a procura ou as tendências dos nossos concorrentes. Afinal se fizermos as coisas bem feitas, se conseguirmos trabalhar com boas práticas, se formos sérios nas atitudes, chegaremos à conclusão natural de que esse é o caminho indicado para mantermos a qualidade e ganhar novos motivos para continuarmos competitivos num quadro de grande concorrência. A sustentabilidade não significa apenas a separação ordenada dos resíduos, a adopção de energias renováveis, por serem, quiçá mais baratas, a diminuição dos gastos em papel porque dessa forma iremos poupar árvores e ganhar em área florestal em todo o mundo. A sustentabilidade ganha-se também através de actos solidários, de uma participação efectiva na sociedade e nas comunidades onde os empreendimentos estão inseridos, por uma aceitação permanente de boas práticas, que resultam da educação, da formação e do conhecimento que hoje devem ter os novos gestores, em particular, e todos os trabalhadores, em geral. O desafio é fazer bem e da melhor maneira, evitar os subterfúgios e os remendos em situações onde o mal já foi feito, e está, muitas vezes, escondido com “uma mão de tinta verde”… Os distintivos turísticos de qualidade ambiental são uma meta interessante para qualquer empreendimento ligado ao turismo. Contudo, de pouco servirão se tudo se apronta para a inspecção e depois segue, sem controlo, até que haja uma denúncia ou que, da parte das entidades certificadoras, se verifique que o certificado serviu apenas para decorar mais uma parede. E quem vê nesses prémios apenas um troféu, engana-se, porque a prática contrária, irá criar mais problemas que os lucros advindos de uma fuga aos princípios e boas práticas, uma ideia que se pode configurar nas cabeças dos que não souberem agarrar a oportunidade, neste caso dos prevaricadores.