Vivi uma experiência curiosa em 2009 quando, literalmente, vendi livros num stand da Câmara Municipal do Funchal e da DRAC na Feira do Livro de Lisboa. Durante duas semanas, a presença da Madeira e das suas edições foram motivo de curiosidade. Não sei quantos livros vendemos, mas anotei as expressões de surpresa e de admiração de quem parava na "barraca" e percebia que afinal nós até produzíamos "alguma cultura". O amigo leitor já notou o problema? Bem, eu ajudo, se for preciso: o drama é o perfeito desconhecimento do todo nacional em relação àquilo que se faz na Madeira em termos culturais. Daí as expressões de surpresa de quem por ali passava. A culpa não será, estou convicto, dos portugueses do continente ou da comunicação social de lá - recuso-me a acreditar que haja uma tenebrosa conspiração contra a ilha -, o problema é nosso, que nunca soubemos comunicar a Madeira como destino que pode ser de Cultura. Que nunca percebemos que a Cultura é um negócio que pode ser rentável se trabalharmos para isso. Que nunca entendemos que as expressões culturais quando reconhecidas pelos outros contribuem, em muito, para a imagem que os outros fazem de nós. Que só em circunstâncias muito especificas procurámos, nesta área, criar pontes e promover parcerias (entre nós, e entre nós e os outros), juntando esforços e entendendo que o mundo é bem maior do que os nossos pequenos quintais. Que nunca soubemos criar produtos culturais vendáveis em mercados grandes e concorrenciais. Sabem que mais: não me parece que venhamos a fazê-lo num tempo próximo. É que, apesar do sucesso unânime do stand da Madeira na Feira do Livro de Lisboa, a experiência não se repetiu. Está tudo dito. Em 1.500 caracteres.

Gonçalo Santos, Gestor de projectos