Ontem, dia 16, foi assinalado, com o patrocínio da ONU, o Dia Internacional para a Tolerância. Poderíamos a este propósito evocar os fenómenos de multiculturalidade ou da nova realidade criada pela diversidade étnica que no mundo globalizado em que vivemos nos desafiam e nos fazem concluir sobre a importância da tolerância, enquanto uma das riquezas da condição humana e da base daquilo que designamos por civilização. Mas a urgência em repor este tema num debate que se quer cada vez mais alargado, resulta do olhar sobre o nosso quotidiano comum, cheio das coisas que desde sempre conhecemos, nomeamos e identificamos como parte de nós e onde, porém, se mantêm e crescem os fenómenos de não-aceitação e de desrespeito entre os supostamente iguais e onde emergem preocupantes sinais de intolerância. Os exemplos multiplicam-se nos acontecimentos de que toda a comunicação social regional nos dá conta: as atitudes irracionais dos que lideram os clubes desportivos, os comentários eivados de arrogância e rancor dos detentores do poder político, a agressividade com que os responsáveis religiosos respondem ao que entendem por ameaça e a violência que transpira das reacções dos que têm visibilidade mediática. Preocupante é assistirmos a isto como se de legítimos e muito normais comportamentos se tratassem, habituámo-nos a um "faz-de-conta" cheio de contradições. Ora, nestes tempos que correm, cultivar a tolerância, promover o diálogo e deixar de ter uma conduta meramente aceitável tem de tornar-se num imperativo ético colectivo, o melhor que temos para dar como seres humanos que só se pode revelar numa cidadania responsável, respeitadora dos outros e sobretudo generosa e solidária.

Isabel Cardoso - Professora