O desporto é considerado por muitos uma escola de valores. Subentende-se que esses valores sejam os que dignificam a condição de ser humano enquanto interactivo com o meio envolvente quer seja ou não em competição. A tolerância é um dos pontos fundamentais para que, no desporto, se consiga um equilíbrio entre o que se pode ou não controlar. Muitas vezes as derrotas e os insucessos não são controláveis.Por outro lado o efeito das mesmas pode e deve ser controlado por quem as sofre. Saber ganhar é diferente de saber perder. Lili Caneças não diria melhor. Só que, o que se subentende daquilo que deveria ser a essência do desporto, nalguns casos, não corresponde a realidade. Nestes tempos mais recentes a tal tolerância esfumou-se. O caso mais flagrante prende-se com a alegada agressão do presidente do Marítimo a um jornalista deste diário. Uma situação que terá que ser esgrimida nos tribunais e à qual, independentemente de quem tenha razão, terá faltado bom senso e tolerância de ambas as partes. "Bodes expiatórios", "armas de arremesso", "testas de ferro", "marionetas" foram expressões que fui ouvindo ao longo da semana dirigidas a uma e a outra partes nesta terra pequena, onde, para muitos, convém estar com " Deus e o com o diabo". Este caso só manchou a imagem do desporto e em particular o futebol. Creio também que já chega de conversa de alcoviteira e de discurso ofensivo em que, todo o sapato tem areia e no bolso há sempre uma nota de 500. Há formas de discordar com elevação. Depois não se queixem que cada vez mais os estádios estão "às moscas" e os sofás apinhados para ver um jogo de Playstation. Para mim até tem uma vantagem: os seguranças estão do lado de lá do ecrã. Posso fazer reportagem pela alcatifa toda.

David Sousa - Jornalista