Há pessoas que têm o dom de, em poucas palavras, pôr o dedo na ferida e transformar "verdades universais" em puras falácias. Foi isto que aconteceu, recentemente, com a intervenção de Cameron Herold nas mundialmente famosas conferências TED, ao defender "vamos educar as crianças para serem empreendedoras". Para Herold, "um empreendedor é uma pessoa que tem ideias e paixões, vê as necessidades do mundo e decide levantar-se e agir". Segundo esta descrição, muitos pais certamente se recordarão que os filhos possuíam algumas destas características na infância e que, por vezes, eram bastante empreendedores. Eram crianças visionárias, com sonhos e paixões. No entanto, hoje, se perguntarmos a esses pais se os seus filhos são empreendedores, provavelmente, a resposta será que, na sua maioria, são empregados por conta de outrém. O que aconteceu? Como foram destruídos os sonhos que deviam comandar a vida dos nossos filhos? A resposta de Herold é muito simples: a escola e os pais estão a errar na educação das crianças. Por um lado, a escola não aproveita o potencial das crianças e dos jovens, preparando-as para virem a ser empreendedores. O que é importante é prepará-los para tirar um curso superior e ir trabalhar para uma organização. Por outro lado, os pais também não encorajam os filhos a serem empreendedores, preferindo incentivá-los a tirar um curso de medicina, de direito, de engenharia, etc., e correr atrás de bons empregos. Por exemplo, os pais nem se apercebem que, ao dar uma mesada aos filhos, estão a criar o hábito errado de esperar pelo dinheiro no final do mês, tal como acontece com o cheque do emprego. Pelo contrário, os empreendedores não aguardam pelo cheque. Os empreendedores são inquietos, preferem a acção e assumem riscos para alcançar os seus sonhos. A receita de Herold para os pais é simples: não dê mesada aos seus filhos. Ensine-os a andar pela casa à procura de trabalhos para fazer e a negociar o preço a receber. Deste modo, os filhos serão educados para preferir criar negócios em vez de aguardar pelo salário ou pelo subsídio do governo.
Vitorino Seixas - Consultor