
Não é uma benesse, um acto de simpatia ou cordialidade, é um direito que assiste aos cidadãos: saber onde e como é gasto o seu dinheiro. Bem ou mal, onde são consumidos os impostos cobrados a quem se consome a trabalhar e está na linha da frente dos sacrifícios exigidos pelos ‘mercados’, esses novos deuses tenebrosos que exigem vítimas, imolações diárias no altar do desemprego, da pobreza e da exclusão. É obrigatório prestar contas, da Junta de Freguesia ao Presidente da República.
Por isso, não se compreendem viagens secretas a actos públicos que deveriam ser publicitadas e devidamente explicadas, nem se admitem os amuos e reacções verbalmente violentas de quem deveria prestar contas. Se um presidente do Governo Regional sai do País, pura e simplesmente, diz onde e ao que vai. O ‘quanto custa’ até pode ser explicado mais tarde. Uma regra que se aplica a todos, sobretudo aos vários poderes executivos.
Também não se compreende que, ao nível nacional, num ano em que cortar era obrigatório, a despesa da máquina do Estado tenha continuado a disparar, as contratações de altos cargos continuem e toda uma série de benesses incompreensíveis sejam vistas como direitos irrevogáveis, como o acumular de reformas topo de gama com salários públicos de excelência.
Admite-se o argumento de que cortar nos carros e nas ajudas de custo não chegava nem para uma gota do que é preciso poupar, mas lá que era um bom sinal... Sem miserabilismos hipócritas, do tipo ‘salário mínimo para todos’, mas com algum respeito por quem paga.
Por aqui, também estão por explicar os custos da máquina da Assembleia, primeiro órgão de governo próprio que não tem força política para o ser, mas que trata os ‘seus’ como se não houvesse crise. As ajudas de custo e despesas de representação, mesmo somando centenas de milhar de euros e sendo uma parcela menor das contas, parecem difíceis de explicar, sobretudo quando não se percebe qual é a ‘representação’ e o ‘custo’ a que estão associadas. Só não há dúvidas sobre a quem ‘custam’.