A integração de políticas e funcionalidades tradicionalmente separadas institucionalmente tem vindo a ser sugerida como medida de aumento da eficiência ao nível da gestão ambiental. Exemplo disso é a recente proposta, sustentada em análises e dados substanciais, que sugere a integração das questões das alterações climáticas com o controlo de poluição atmosférica e a segurança energética. Nem de propósito, esta proposta vem demonstrar a necessidade de um novo olhar para o sistema orgânico e labirinto administrativo e funcional com que vamos gerindo os mais importante sectores da actividade sócio-económica neste mundo em mudança permanente. Temos assistido a fusões orgânicas, extinções e reintegrações nem sempre baseadas nas necessárias análises detalhadas quer relativamente à realidade actual quer aos desafios e necessidades imediatos ou futuros. Esse tipo de decisão tem sido observado sobretudo ao nível do topo das estruturas orgânicas, quer empresariais quer da administração pública não encontrando concretização nos processos e no interior das estruturas atingidas. Ou seja, as mudanças não chegam ao chão, ficando-se por meras cosméticas de nomenclatura e ligeiras poupanças financeiras nos primeiros dias, logo ultrapassadas pelo "outsourcing" obrigatório para o cumprimento das mesmas obrigações que, de facto, não mudaram. O ruído e a necessidade conjuntural não ajudam a discernir nem a sustentar mudanças efectivas e de sucesso. Daí a descrença e a enorme auto-defesa dos actores que sabem que pouco muda efectivamente, apesar do vigor dos anúncios. Na prática, dizem todos, não passa de mera intenção qualquer tentativa ou anúncio nesse sentido. Em boa verdade, sem a demonstração de um conhecimento profundo das redundâncias, dos vazios, sobreposições e diluições de competências, e sem propostas claras quanto a ultrapassar este modo de estar, nada vai mudar. Continuaremos a assistir, impotentes, à enorme velocidade a que o Mundo muda, convencidos de que nós, tão pequeninos, devido à orografia, densidade populacional e carácter ultraperiférico, somos os únicos que não temos possibilidade de mudar. A interdependência entre a economia, o ambiente e as pessoas, obriga à urgência de um realinhamento das estruturas administrativas, ao desenho de novos esquemas normativos e a uma capacidade integradora, orientada para o aumento da eficiência produtiva, da competitividade e da inovação. E com isso, do bem estar e qualidade de vida dos cidadãos e do seu desenvolvimento sócio-económico.

António Domingos Abreu