Uma agressão a um jornalista em serviço é notícia de dimensão mundial. E também crime, por muito que quem presenciou ao sopapo e à arranhadela tente branquear actos inqualificáveis. Criminoso da mesma estirpe é ainda todo aquele que, promovido a cúmplice do agressor, sabe-se bem a troco de quê, padece de amnésia súbita e de perturbações auditivas e visuais. Ou aqueles que passam a esponja pela memória, a deles, porque a colectiva não esquece o cadastro de quem mente e se perde em perseguições e ameaças. Para que querem os públicos dos jornais, das rádios e das televisões jornalistas que nada viram, ouviram ou sentiram ou que mesmo vendo e ouvindo preferem deturpar ou omitir do que relatar factos com rigor? E para que servem empregados do 'alegado' jornalismo se os meios para os quais deviam trabalhar sentem a obrigação moral de citar concorrentes para não ficarem sem o assunto do dia? Não admira: um profissional local admitiu publicamente que no último domingo, na bancada central dos Barreiros, ouviu serem feitas críticas ao presidente do Marítimo, matéria que não deu notícia porque afinal ele só estava lá para fazer a crónica do jogo! Estamos deontologicamente conversados. A semana foi má. Não só pela agressão de que foi vítima o jornalista Marco Freitas, o único dos dois intervenientes no episódio que tem compromisso deontológico com o rigor e com a objectividade, e que por tal está obrigado a contar a verdade, por sinal, testemunhada por gente que fez pacto com a honestidade e não com as conveniências dos execráveis 'donos da bola'. Foi má também à conta das várias réplicas que tentaram desculpabilizar um gesto que merece repúdio. Ainda bem que os que agora obedecem à instigação oficial não eram mensageiros em Maio de 1997. Se o fossem a colossal vaia a Jardim nos Barreiros não teria direito a alinhamento noticioso. O destino seria idêntico àquele que muitos deram ao cartaz que foi exibido anteontem por maritimistas no Estádio da Madeira. Rui Santos, Jornalista Para os mais distraídos, inclusive na classe, fica o alerta: "Não deixar os jornalistas 'respirar' significa 'asfixiar' a democracia" Roberto Almada, Deputado do BE Os políticos que não calam, nem consentem abusos, não fazem mais do que o seu dever. Mas ser célere e eficaz, como foi após a agressão, é obra. O resto são 'tiririquices' . Filipe Abreu, cantor Um novo talento do Campanário sobe ao palco nacional. Na primeira actuação, o júri não poupou elogios à voz. Promete. Marcelino Andrade, médico Para além da propensão para declarações ofensivas, consegue ser notícia pela pouca assiduidade ao serviço. Não tarda, tem um louvor. Carlos Pereira, Presidente do Marítimo À extensa lista de ofensas a jornalistas juntou uma inqualificável agressão. Valha-nos a gente boa do clube "que não é só pontapé na bola"!
Ricardo Miguel Oliveira, Director