Os atentados terroristas, levados acabo por gente ligada à religião e a uma concepção de Deus, tornou premente pensar que Deus cremos e qual a religião que serve como (re)ligação ao transcendente. Mas, Deus já não foi posto no seu lugar e a religião era um assunto arrumado? - Os que pensam assim enganam-se e nunca como hoje se entende afinal a questão de Deus e da religião como assuntos de candente actualidade. Deus e religião, estão bem presentes e não se vislumbra o seu fim como alguns fizeram crer face ao progresso técnico e os axiomas filosóficos. Nietzsche, que tinha proclamado de forma categórica a morte de Deus, deve, hoje, estar arrependido perante o insucesso da sua conclusão. Que Deus quando falamos de Deus? - Alguém disse: «Deus é um bom homem». O profeta Oseias dirá, por Jahvé, «Eu sou Deus, e não um homem». Por José Saramago sabe-se: «Deus é o silêncio do universo, e o ser humano, o grito que dá sentido a esse silêncio». O autor de «Caim», diz ainda: «a história dos homens é a história dos seus desencontros com deus: nem ele nos entende, nem nós o entendemos». No fim, descobre-se com tudo o que se diz e faz em nome de Deus, que todos os bons se salvam e os maus também se salvam porque Deus é bom e perdoa. Melhor definição do que esta, alguma vez se poderia pronunciar, para o que Deus é, o que nós somos e para onde vamos. Que espiritualidade ou que religião para os dias de hoje? - Não uma religião que justifica guerras, todo o género de violência, terrorismo e insegurança. Toda a religião que se converte em poder ou domínio sobre os outros de espiritualidade não tem nada. O objectivo da religião é (re)ligar o transcendente com a vida deste mundo e vice-versa. Sem isso a humanidade cai no vazio e no sem sentido. A religião e a par a espiritualidade servirão o sentido da vida e a felicidade. Tudo se torna inútil e perigoso quando em qualquer religião emerge o fundamentalismo, a sacralização do poder, o espiritualismo e a alienação. Hoje, vemos com tristeza alguns destes aspectos na Igreja Católica. O espiritualismo marca o seu espaço, ferindo o caminho de Jesus Cristo e a Sua proposta do Reino da fraternidade. A crise da fraternidade é muito grave dentro e fora das Igrejas. A sacralização do poder revela uma estirpe de idólatras - a papolatria está aí em força e os tapetes de flores para o clero se pavonear em cima são um escândalo que se aceita pacificamente... Os novos ídolos vestem-se de ouro e prata, têm a última palavra para tudo e o resto (os baptizados), são resto, que deve obedecer em nome do sacrossanto poder e da divina sabedoria que alguns consideram possuir. Nenhuma religião tem a verdade toda e se o ideal é o amor, deve pensar-se como caminho entre caminhos. Todas as religiões são verdadeiras, mas podem abrigar muita falsidade. A religião e a espiritualidade que se deseja estão no Evangelho de Jesus Cristo. Vemos aí um Deus que não quer ser adorado pelo medo nem pela opressão dos costumes e dos ritos falaciosos, anacrónicos. É o Deus que busca, que acolhe e que está em todos os lugares da vida. Nenhuma religião se pode dizer dona única deste Deus que tem muitos nomes, que perdoa sempre porque é amor. Digo «Deus sempre», mas Aquele que é tudo em todos. E não digo mais porque não há espaço. Perante Deus e a espiritualidade o silêncio sempre foi de ouro.
José Luís Rodrigues, Padre