Paulo Abreu Prefiro mil vezes o programa "So you think you can dance?" Um programa é português, o outro americano. À partida parecem iguais, mas não são. Não é por ser estrangeiro que prefiro o programa americano, mas por representar para mim um máximo que todos devemos ter na nossa vida: sonhar! Este é dos momentos televisivos que não dispenso. Sinto-me inspirado por ver pessoas que lutam por um sonho. Parece-me que os portugueses deixaram de sonhar. O que vejo, leio e oiço, é um povo que luta todos os dias por números. Um décimo no défice. Uma vírgula nas taxas de juro. Outro décimo nas taxas de "rating". Uns milhões de dívidas. Eleições que todos ganham e todos perdem. Menos euros para pagar os empréstimos, as compras de supermercado, a cresce e os livros escolares dos filhos. Mais ou menos pontos na liga de futebol. É esta a vida dos portugueses neste momento. Quando vejo dançarinos fantásticos darem tudo o que têm para terem uma única oportunidade de fazerem aquilo que amam, sinto-me inspirado, emocionado até! Dançam sem uma mão, com a coluna deficiente, até surdos. São bailarinos fantásticos, outros com uma personalidade vincada. Mas não desistem do sonho! O júri do programa fala com todos, mostra respeito a todos e ajuda-os a crescer. São especialistas construtivos. É importante ouvirmos os especialistas. Os verdadeiros. Escrever para um diário, falar na TV ou na rádio não cria especialistas. Cria apenas protagonistas. Falsos. O programa volta a ser exemplo nisto. O apresentador português é um protagonista, que nada acrescenta. e que representa o protagonismo portugues A apresentadora do programa americano faz o seu trabalho com competência, sem palhaçadas. O protagonismo surge-lhe com naturalidade. Protagonismo é um tema muito interessante. Portugal está cheio de protagonistas sem conteúdo, sem substância. Damos tanto tempo de antena a pessoas que simplesmente estão lá, aparecem. Protagonismo deveria surgir por mérito, por competência, por conhecimento de causa. Não pela cor política, afiliação clubística ou por conhecimento de alguém influente. Se os portugueses querem melhorar em todos os aspectos e em todas as áreas, têm de aprender a ouvir quem sabe. Têm de procurar melhorar as suas competências e fundamentalmente, têm de reaprender a focar todas as suas forças num dos aspectos mais importantes da a vida: o sonho! Temos de deixar de ser os robôs de uma economia, empresa ou vida que escolhemos sem saber bem como. Entramos nela sem sequer nos apercebermos. Temos de reaprender a arriscar e procurar o caminho que nos torna protagonistas por mérito próprio. Desafio-os a voltarem a sonhar. Achas que sabes dançar? Ou melhor, So You Think Yo can Dance?