Gil Canha Na passada quinta-feira, dia 9 de Novembro, foi publicado neste espaço um interessante artigo da autoria de um senhor(a), com as iniciais HP, intitulado "Poupemos ao menos os campanários…" denunciando a construção de um monstruoso edifício de cinco pisos, no Beco da Fruta, próximo da Igreja da Nazaré. Efectivamente, o licenciamento deste edifício foi feito à revelia das regras e normas do actual e esfrangalhado PDM. Mas, o pior ainda está para contar! Esta construção, que tem uma escala completamente descomunal e um impacte visual tremendo no nosso anfiteatro, foi objecto de uma acção judicial por parte de um vizinho. E o que fez a Câmara de Miguel Albuquerque para apaziguar a ira do vizinho e sair assim do imbróglio judicial? Foi autorizar que o vizinho assanhado também construísse um "aborto" igual no seu terreno. E como isto até dá para rir (ou chorar, conforme as sensibilidades), o projecto do enraivecido vizinho foi à reunião de Câmara em Julho desta ano (acta nº 24/2010), e foi licenciado, com muitas outras ilegalidades, tendo ainda o vergonhoso desplante de permitir que os dois edifícios encostem um ao outro, em construção continua, como se o Beco da Fruta fosse a Rua Fernão de Ornelas. Deste modo, caro senhor(a) de iniciais HP, o que você descreveu com justa revolta ainda é só o primeiro patamar do inferno de Dante, porque falta o segundo, que ainda é mais dantesco em termos urbanísticos do que aquele que está actualmente em construção. Confrontado com esta grosseira violação do PDM, vi-me obrigado a denunciar esta gravíssima situação ao Exmo. Senhor Procurador do MP, junto ao Tribunal Administrativo e Fiscal do Funchal, a 28 de Julho de 2010. Deste modo, cumpri o meu dever, agora só espero que os outros cumpram o seu…