Sou um gestor moderno mas ainda sonho com o engenheiro norte-americano Frederick Taylor. Quem produzir mais em menos tempo recebe um prémio como incentivo. Ainda bem que esta história evoluíu. O taylorismo atribuía a recompensa ao trabalhador pelo aumento da produtividade mas agora o tal prémio pertence-me, é óbvio! Então não é o gestor que motiva o trabalhador falando-lhe da crise e da ameaça da empresa falir? É um cenário provável. Ele ouve notícias e comentadores políticos. E o que se diz é que vai tudo para a sopa dos pobres! Pior, ainda. Não ajudam o país a sair do poço. E o PIB, ai o PIB, que dores de cabeça. Sofre quebras de tensão que não se aguenta. Não há crescimento. Vive-se numa anemia sistémica. Não sabe o que é? Nem queira saber. Faz cair os dentes. Portanto, meus queridos, mexam-se. O prémio é meu. Esforço-me para cumprir objectivos. Sou premiado por tu trabalhares mais ou, então, se fizeres sombra à minha sombra, afastar-te. Os espaços são exíguos. É o meu dever, caramba. Compreende, pá. Tenho muita pena mas tenho de cortar na despesa e isso significa substituir-te por um recém-licenciado a recibo verde que chora de alegria por sentar-se na tua cadeira a 500 euros. E olha que tu aos 45/50 anos já não diversificas muito, nem és aproveitável para muitas sinergias. Não gosto nada de dizer mal do meu país. Tem vinhos excelentes. Mas isto é uma lástima. Leio muito teórico norte-americano. É óbvio que sou pela sociedade de informação e do conhecimento, pelos trabalhadores do conhecimento, defendo até que o futuro passa por um novo perfil profissional, pessoas com competências adquiridas através da educação, formação e da própria experiência no desenvolvimento das suas actividades organizacionais. Há que dar valor ao conhecimento explícito e implícito, aos tais activos intangíveis, ao capital humano, ao capital conhecimento e à necessidade constante de aprender a aprender... enfim, mas isso pá…é um risco. Um tipo destes ainda tem ideias. E eu não pago para ele ter ideias. Juro que sou pela criatividade, inovação, mudança no sentir, pensar e agir. Mas a minha intuição é fabulosa. Quando dizem que a comunicação é uma condição de sobrevivência das empresas, tenho insónias à conta da minha energia empreendedora. Imagino-me um Henry de sucesso à frente da minha "Ford Motor Company" organizando a linha de montagem de colaboradores. Quem são? Não sei. Nunca pensei nisso. Não sou pessoa de proximidades. Há que manter a pirâmide. Comando umas dezenas largas de indivíduos. É muita responsabilidade.
Lilia Bernardes, Jornalista do DN (Nacional), correspondente Madeira