HP Sobressaindo de forma aristocrática sobre o aglomerado de casas e construções mais baixas, os campanários das igrejas paroquiais do Funchal erguem-se elegantemente por entre o anfiteatro populacional. Estas igrejas paroquiais e suas torres sineiras traduzem um elemento simbólico da independência administrativa, designando igualmente a manifestação estética e a harmonia arquitectónico-paisagística da baía funchalense. Elas constituem um marcante ponto de referência geográfica das diferentes localidades semeadas por todo o anfiteatro funchalense e deveriam, por via de regra, destacar-se pela sua notável dimensão em altura dos edifícios envolventes. As torres sineiras são edificada tendo por pressuposto a razão prática de optimização e definição de espaço, ou se quisermos, a visualização dos limites de um aglomerado populacional. A esta forma de arquitectura eclesiástica, os campanários, adequam-se funcionalismos não só de foro religioso mas também os de ordem prática … como é o caso da torre da Igreja da Nazaré: torre sineira, torre relógio e antena pára-raios. Infelizmente, o exacerbar das edificações em altura e o desrespeito pelo plano de ordenamento do território, através da autorização ilegal de alvarás de construção clandestina e oportunista que permitem ultrapassar o índice de construção vinculado… estão a contribuir para a degradação crescente da paisagem do espaço habitacional já considerado um paradigma de excelente ambiência urbanística - o Bairro da Nazaré. É com muita mágoa que constato que a torre desta igreja começa aos poucos a afundar-se por entre a construção envolvente que com ela concorre em altura. O sufoco do seu campanário é já iminente…tendo em conta o vírus de construção desmesurada que aí parece querer instalar-se. Travemos esta iniciativa silenciosa e corrosiva de construção desregulada e de licenciamentos de duvidosa legitimidade, altamente prejudiciais aos interesses de todos os que prezam e se orgulham da paisagem do anfiteatro funchalense. Numa terra que gravita toda ela na órbita do turismo, a paisagem é a condição sine qua non por excelência. Vamos salvar a paisagem e o campanário da Igreja da Nazaré, impedindo que vinguem absurdos arquitectónicos como este que está a crescer ao lado desta igreja tão conhecida de nós…