HP O objecto de crítica deste texto centra-se na construção de um edifício que está a nascer junto à Igreja da Nazaré, sito ao Beco da Fruta. Trata-se de uma aberração arquitectónica visível sob qualquer perspectiva, mais ainda na frente sul da igreja, por quem passa no bem conhecido miradouro do fim de ano, na Nazaré. Aqui, e ao que parece, os abusivos interesses comerciais sobrepõem-se à defesa do património arquitectónico e paisagístico. Sabe-se competir ao poder autárquico a regulamentação e a autorização das construções, assim como o ordenamento do território. Não parece ter-se procedido, neste caso, a uma correcta avaliação quanto ao licenciamento de tal construção, ainda em curso. Pergunto-me: Como é que se permite a construção de edifícios como este, de proporções tão desmesuradas, dantescas e pavorosas quase à mesma altura de um campanário?! Os campanários não deveriam constituir de forma distinta o ponto de referência mais alto da área onde se inscreve uma igreja paroquial?! Como é que se autoriza a edificação de um edifício de estrutura monstruosa, com cinco pisos, numa zona onde é apenas legal subir até aos três andares? Porque é que se abrem antecedentes de construção ilícita, levando a que a curto ou médio prazo se autorizem nos mesmos moldes e na mesma área outras mais monstruosidades? Porque é que se projectam Planos Directores Municipais para depois se autorizarem construções que vêm a prostituir os mesmos?! Porque é que se usam os dinheiros do erário público na concepção de tais PDMs, sabendo de antemão que estes serão violados? Até quando este descarado desrespeito e inconsequente despesismo, que enriquecendo alguns de forma obscura e egocêntrica, nos torna a todos tão injusta e irremediavelmente mais pobres na algibeira e na paisagem? Os tempos são de contenção e transparência, lembremos… de todos e para com todos, sem excepção. Esta terra já tão fragilizada pelos incêndios e outras vicissitudes naturais… não deveria jamais padecer de atentados de culpabilidade humana! Vamos reponderar e agir com circunspecção. Creio já ter chegado há muito a hora de se encetar uma conduta irrepreensível e condigna de boa cidadania perante toda a sociedade civil. É para tal que votamos. Interessa não esquecer que uma comunidade necessita fazer-se ouvir e respeitar para assim respeitar aqueles que a governam. Relembremos: uma comunidade é um conjunto de indivíduos organizados pelas mesmas leis, habitando o mesmo território, regulados por um governo comum… possuindo o mesmo legado natural e histórico-cultural. A paisagem é de todos. Senhores, lanço o apelo: Defendamos o nosso património, as nossas conquistas, as nossas mais-valias! Vamos travar aberrações como esta, no Beco da Fruta, Nazaré. Vamos travar a aniquilação da beleza sui generis deste anfiteatro cintilante… paisagem internacionalmente reconhecida e detentora de um lugar no Record Guiness Book… Ainda há tempo.