Já existe um carta de intenções entre a holding IKEA e a Golden Tulip Hotels para a criação de uma rede de hotéis utilizando a 'expertise' de cada organização, de um lado a gestão hoteleira, do outro, a gestão optimizada do equipamento hoteleiro a instalar, a todos os níveis. Mas, a minha intenção não é falar sobre esta parceria, que auguro de sucesso, mas de sublinhar aqui as virtualidades de aplicar soluções do 'tipo IKEA', na hotelaria. Refiro-me em concreto a hotéis de gama média ou 'budget' que poderiam ganhar competitividade efectuando pequenas remodelações utilizando o design, a criatividade e o bom-gosto típico das 'soluções IKEA' sem exceder valores de investimento que comprometam a sua rentabilidade operacional. De facto, numa conjuntura em que o preço é uma variável crítica da escolha de um destino disponibilizar ao mercado um Hotel atractivo a um preço razoável pode representar uma vantagem para o hoteleiro face aos seus concorrentes. Não que não tenham lugar hotéis posicionados para uma clientela mais abastada tirando proveito do seu 'branding' mas a tendência dominante hoje é para procurar soluções da maior qualidade possível pelo mais baixo preço. Daí que os novos investimentos na hotelaria devem ter em conta esta condicionante a pensar numa clientela mais conhecedora e mais exigente mas sensível á contemporaneidade e ao valor do dinheiro. Numa Região onde o preço de venda do alojamento é muito «esmagado» saber conter os limites de investimento em montantes que assegurem rentabilidade e a expectativa/satisfação do cliente parece ser a via certa para qualquer investidor. E, não se diga que esta via é pouco recomendável porque aplica soluções pouco duradoiras quando se sabe que os gostos, as modas e as tendências dos consumidores-turistas mudam depressa e obrigam a uma actualização constante para competir com sucesso.

Nuno Jardim Fernandes, Gestor