Deixem-me manifestar a minha indignação pelas novas e brutais medidas de austeridade anunciadas por Sócrates, e que vão lançar angústia, sofrimento e imensas dificuldades sobre centenas de milhares de Portugueses e Madeirenses. Como dizia, e bem, Nogueira Leite, é a factura que o povo português irá pagar pela incompetência da governação socialista, a que temos estado infelizmente sujeitos, em mais de 12 dos últimos 14 anos. Mas em particular pela incompetência do actual Primeiro Ministro e do seu Ministro das Finanças que se têm revelado simplesmente desastrosos na gestão orçamental e no cumprimento dos compromissos assumidos com Bruxelas. Num estado de cegueira total e de negação da realidade, vêm-nos dizendo que está tudo bem, que a economia até tem crescido mais do que a média da UE, mas em simultâneo presenteiam-nos com planos de austeridade a um ritmo nunca visto e sem paralelo nos outros Estados-Membros (Espanha, Grécia) em dificuldades com a sua dívida soberana. Revelador é que nestes Países a despesa pública tenha descido e Portugal tenha sido o único em que tenha aumentado e que agora, mesmo depois do último aumento de impostos, que até o PSD viabilizou, necessitemos para equilibrar o défice público duma receita extraordinária - antes tão criticada por Sócrates - como seja o Fundo de Pensões da PT, cuja transmissão para a Segurança Social, se não for bem acautelada, pode vir a revelar-se, no futuro, um negócio ruinoso. Sócrates e Texeira dos Santos, se tivessem um mínimo de vergonha e dignidade, antes de terem a ousadia de anunciarem aos Portugueses o Plano de Austeridade 3 em menos de um ano, primeiro pediam desculpas e depois explicavam o que se havia passado, e o que tinha corrido mal para que mais austeridade fosse necessária. E o drama é que nada nos garante que a austeridade termine por aqui, já que mais medidas podem ser necessárias lá para 2012 ou mesmo antes, se a economia como é provável, em resultado de tanta austeridade, entrar de novo em recessão e exigir mais despesa pública e implicar menor cobrança de impostos (vidé últimas previsões do FMI). Sócrates é bem o último exemplo da incapacidade nacional para, em democracia, efectuar uma gestão sã das nossas finanças públicas, acabando-se sempre por resvalar para o desregramento e o regabofe despesista, e desta vez, nem sequer evitados pela disciplina - demasiado light impõe-se concluir - derivada da nossa pertença à moeda única. Sim, se de alguma coisa podemos acusar a União Europeia é de ter sido laxista e complacente para com Portugal: por ter permitido défices públicos mesmo quando a economia crescia, por não ter sido mais exigente relativamente ao crescimento da dívida pública, por ter descurado completamente o crescimento da dívida privada (das empresas, das famílias, dos bancos) expressa num persistente desequilíbrio da balança comercial, sinal de um país insustentável a viver muito acima das suas possibilidades. Portugal não cresce, não porque haja insuficiência de investimento público, mas sim porque não somos competitivos e termos mesmo perdido competitividade nos últimos anos porque Sócrates não foi capaz mesmo com maioria absoluta de fazer as reformas estruturais necessárias, a começar pela reforma do Estado que não tem deixado de engordar. Na verdade, insustentável é um Estado que gera receitas de cerca de 40% do que produzimos mas gasta próximo dos 50%. Enquanto a economia cresceu e houve receitas extraordinárias, estas e mais dívida pública foram tapando o buraco. Tal como com o orçamento familiar, não dá para viver indefinidamente a gastar mais do que se ganha. O amigo leitor continuaria a emprestar dinheiro a quem gasta mais do que ganha, e nem consegue ao menos mostrar capacidade para diminuir o seu elevado padrão de despesa? O Estado está nesta situação e infelizmente também muitas famílias e empresas que lhe seguiram o exemplo. O Estado persistentemente deu o mau exemplo, transmitiu os sinais errados. Não admira, por isso, que ainda hoje, e em consonância com a cegueira de Sócrates, Portugal tenha sido o País onde as vendas de automóveis e telemóveis mais tenha crescido. Que melhor expressão poderia haver de um País dual, desigual e não solidário: uns, enfrentam o drama do desemprego ou vivem com baixos salários e pensões, na pobreza ou à beira dela, outros aumentam os seus padrões de consumo. E, neste contexto, choca ainda mais a insensibilidade social de Sócrates que ainda tem o despudor de se arvorar em paladino e defensor do Estado Social. A que parte do País dual de que falava à pouco vai esta austeridade afectar mais? Cortar o abono de família a quem ganha pouco mais do que o salário mínimo é bem o paradigma da austeridade cega e injusta de Sócrates. Mas vem ao menos esta austeridade acompanhada de uma luz de esperança consubstanciada em medidas que favoreçam a nossa competitividade e promovam a expansão da economia e do emprego? De medidas de apoio e estímulo aos milhares de pequenas e médias empresas que enfrentam a concorrência internacional e que são a verdadeira chave da esperança e que agora enfrentam um grave problema adicional fruto da incompetência socialista (crédito muito caro e escasso)? Não e não, apenas austeridade! Andam a brincar com o fogo! Por último apenas uma palavra quanto ao projectado corte das transferências do Estado para a Madeira: INQUALIFICÀVEL!

Sérgio Marques