Basta fazermos uma breve pausa no trabalho e irmos à maior esplanada do mundo (refiro-me ao facebook, claro) para termos a noção de que o derby madeirense aproxima-se. Provocações, ameaças, palavras que não constam no dicionário mas que são, por diversas vezes, proferidas nos jogos e discussões acerca da Resolução n.º 1299/2010, de 26 de Outubro, que autoriza o apoio de 45.184.800€ ao rival, aparecem nos murais de muitos facebookianos. O povo português fala, comenta, inveja, difama, ataca, inventa, enfim, vive a vida do outro, ao invés de viver a sua. No desporto isso também existe, pois falar do rival é fácil e dá-nos alguma energia e vivacidade. Para muitos, o clubismo constitui uma doença que corrói o desporto. Mas o clubismo agrada-me, e porque não? Para mim, um clubista não é um mero simpatizante. É, sim, um membro activo do clube que ignora o clubismo incoerente, abusivo, cego e absurdo em prol do inteligente e do sensato. Eu prefiro olhar para dentro, viver com intensidade as minhas cores e paixões, vivenciar o que nos faz ser, em simultâneo, sentimentais e selvagens, como diria Javier Marías. "E eu não perdoo homens, mulheres e crianças, mais de 1,50m e leva nos cor***" é um dos comentários que está a circular nas redes sociais. Por certo, este visitante da Choupana não fala a sério nem é clubista. Sendo os clubes uma força impulsionadora do desenvolvimento desportivo este tipo de comentário apenas comprova que nem todos os adeptos são clubistas. Discutam jogadores, jogos ganhos e tácticas. Debatam a relação entre os presidentes, analisem a comparticipação do IDRAM na construção do novo Estádio, briguem no café, argumentem… Mas violência não! Sejamos clubistas mas não pequenos.
Andreia M. Nascimento, Directora de Comunicação