1 - Socialmente, as últimas duas semanas foram terreíveis na Madeira. Foram casos em cima de casos, violência atrás de violência, polémica, brigas, contas irregulares, dívidas. Caso para perguntar: afinal, o que é que se passa aqui? Recuando no tempo apenas 15 dias, temos o seguinte retrato da Madeira real: um aluno de uma escola secundária foi atirado ao caixote do lixo, outro terá sido agredido a soco por um dirigente de uma escola. Dois adolescentes suicidiraram-se. Há um burlão que se faz passar por membro de uma associação de motards e ninguém o apanha, houve duas burlonas identificadas, um jovem deficiente envolvido num acidente que ficou abandonado na estrada com a sua cadeira de rodas. Houve droga apreendida no aeroporto, vários assaltos ligeiros,uma fuga à polícia que terminou na varanda de um segundo andar da Fernão de Ornelas, um assalto à farmácia do Caniço nos mesmos moldes do assalto ao BPI, ainda outro assalto a um armazém. Houve ainda mais um dia de enxurrada que causou pânico no Funchal, uma psicóloga morreu com 36 facadas do namorado psicólogo. Este concentrado de horrores foi o nosso dia-a-dia nas últimas duas semanas. Isto sem ligar ao que se poderiam considerar minudências perante estes verdadeiros casos. 2 - Mas as notícias não se fizeram só de casos do dia. Também ficámos a saber que vivemos num "País de opereta" que impede o presidente da Assembleia de mandar calar um deputado mal educado, quando não ouve outros registos idênticos. É nesse mesmo País que um presidente de Câmara usa linguagem imprópria para se referir ao primeiro-ministro. É ainda neste "País de opereta" que o Tribunal de Contas descobre que a Assembleia regional pagou sem comprovativos legais 4 milhões de euros e todos sabemos no que isso vai dar: em nada! Entretanto, agora nesta "Região de opereta" decidiram aumentar as verbas para os partidos quando o País decide diminuir, embora não se decida em relação a um orçamento que mais parece uma novela mexicana. E que dizer da ópera que está em palco há meses e que canta os desvarios de um sistema de saúde prestes a implodir? É no meio deste pântano que nos encontramos. É este o nosso ram-ram das últimas duas semanas. Mas parece que está tudo bem. Ou quase. Políticamente, a oposição esbraceja, pede debates, exige respostas, clama por esclarecimentos. O Governo passa ao lado. Visita estufas, desmente o ranking das escolas, diz que não vale a pena estudar a pobreza ou acha normal demolir o Minas Gerais. Entretanto, o secretário dos Recursos Humanos fez a vez de presidente enquanto o vice-presidente esteve em Tenerife e o presidente em Estrasburgo. Além de ser um País e uma Região de opereta, estamos sem maestro e há muito que se foi o libreto e a partitura. É navegação à vista!