O conceito de Turismo Cultural, além da memória e identidade de um povo; o património preservado; os usos e tradições; a arquitectura; a gastronomia, etc; inclui, os eventos ditos culturais. Trata-se de manifestações artísticas temporárias, disponíveis ao consumidor com o propósito, sobretudo, do seu enriquecimento espiritual. Aqui, enquadram-se os concertos, festivais, exposições, enfim, os espectáculos em geral. Na Madeira, verifico com certa regularidade, a realização de Seminários, Conferências e outras formas de debater estratégias para a melhoria de um produto turístico integrado, aplicado à realidade Regional, onde se discute novas ideias, vitais para a saúde económica deste sector. No entanto, verifico que o assunto "Turismo Cultural", não tem sido motivo de debate e análise. Apesar da presente crise económica internacional, estatísticas informam que o Turismo Cultural cresce gradualmente em todo o Mundo, quiçá como antídoto para o desânimo que a referida crise produz na sociedade em geral. Por cá, o recém-criado Festival de Órgão, além de muito interessante, parece-me uma boa aposta, mas é necessário realizar muito mais. Não valerá a pena "ressuscitar" o Festival Bach - adequando-o à actualidade - que nos anos 80 registou inúmeras entradas de turistas, oriundos de mercados raros e distantes como o norte-americano e que nos visitaram apenas com o propósito de usufruir dessa oferta cultural? O Fórum que debater este tema, lançará concerteza muitas outras sugestões. É verdade que para a Madeira ganhar competitividade na gigantesca Industria do Turismo e para os eventos culturais fortalecerem a capacidade de inclusão na estratégia turístico-promocional da Região, será necessário redefinir o investimento público nos mesmos. Iniciar o debate, é que não custa nada.
Henrique Teixeira - Director do Funchal IFF