Não posso deixar de comentar a seguinte notícia da semana passada: "os partidos políticos com representação na ALM propõem o fim do financiamento aos clubes profissionais. Só o PSD discorda dessa visão". É espantoso como se pode distorcer a realidade de forma tão leviana. Não vou escrever sobre futebol mas sobre a abordagem jornalística do tema. Vejamos. A representação maioritária dos madeirenses na ALM, ou seja 64% dos votos do povo, é para o Diário "só o PSD". Os outros partidos, que apenas representam, todos somados, 36% dos votos, são a referência. Vendo melhor, para o jornalista, a opinião de 33 deputados, que são 70% dos deputados da Assembleia, são a discordância, enquanto a visão de 14 deputados, que valem apenas 30% do Parlamento, são a opinião da qual "só o PSD discorda". O PSD tem 14 linhas de uma coluna para dar opinião e a minoria da oposição dispõe, na mesma página, de 69 linhas. Ou seja, para a notícia, seis são a favor e um é contra. Pela democracia do jornalista, a politica do futebol devia ser diferente já que os seis partidos querem e, imaginem, "só o PSD discorda". Porventura toda a governação regional deveria ser como os seis partidos querem já que, só o PSD, tem opinião diferente. Não deverá ser o PSD, como partido maioritário e responsável pelo governo, a definir as políticas enquanto aos partidos minoritários, diria minúsculos, cabe discordar ou concordar? Aqui na Madeira parece quererem diferente. Até, porque quem faz verdadeira oposição nem são os partidos. E, em democracia não é assim.

Miguel Sousa - Vice-Presidente da ALM