Cenário: Mercado Abastecedor de São Martinho, uma e meia da manhã. O local começa a encher de carrinhas preenchidas de produtos agrícolas fresquinhos. Cada um, conforme chega, ocupa seu lugar. Arruma seus produtos da melhor forma, afinal, quanto mais apresentado mais atenção pode chamar aos potenciais compradores. É incrível a organização mesmo sem regras. Uns trazem café para ajudar a aquecer o frio que se sente enquanto se espera torcendo para que esta seja "uma boa noite" de negócios. Se pormenorizarmos nossa visão para o olhar e para a face dos agricultores vemos cansaço. O dia deles começou há quase dezoito horas atrás. O trabalho não é propriamente o mais leve. Leve? Será que essa palavra existe no vocabulário agrícola? Chegam os potenciais clientes. Estes negoceiam, como todo e bom comerciante, afinal, também tem encargos por cumprir. Uns agricultores são vencidos pelo cansaço e para não levarem o carro para trás cheio, acabam por ceder a um preço que nem um tostão sobrará. Vemos no rosto neste momento a desilusão. Outros bons negócios fazem e vemos a satisfação. Se este já é o cenário existente, paro para pensar, como será o futuro dos agricultores com o agravamento da crise. Medidas de Austeridade! Orçamento de Estado! Alerta vermelho na economia! As matérias primas necessárias para a produção agrícola vão aumentar de preço, mas como é os nossos agricultores, vão poder aumentar o preço dos seus produtos para que não tenham prejuízo? Deveríamos criar formas de sensibilizar a população e empresários no geral para que deixem de ver os agricultores como aqueles que apenas tem as mãos estendidas para subsídios e darem valor para o trabalho árduo que muitos estão sujeitos. Vamos deixar o nosso dinheiro girar mesmo dentro na nossa Região e unir esforços, consumindo e acima de tudo valorizando e respeitando os nossos agricultores e nossos produtos regionais. Vamos as compras, na nossa terra!

Bruna Machado - Vice-Presidente AJAMPS