Crise, nas mais variadas áreas, pode ser sinónimo de oportunidade para a mudança. Pretendemos, como reflexão para o desporto madeirense, falar aos dirigentes, gestores, técnicos e atletas, em especial aos dois primeiros grupos: - Parece-nos que não podemos continuar a ter as pessoas que estão há dez, quinze, vinte e mais anos, nos topos das organizações desportivas e na definição estratégica das suas políticas. Qualquer organização necessita de novos recursos: ideias, projectos, formação nas áreas, funções e cargos. Num quadro de ideias programáticas, a Gestão do Desporto existe, até, como formação académica. A Universidade da Madeira e os seus académicos, podem trazer saberes ao seio do desporto, para resolver problemas, gerir rotinas, saber processá-las, pensar e desenvolver projectos modernos. As organizações confrontam-se com problemas imprevistos, aos quais é preciso dar respostas originais. É aqui que os dirigentes e gestores antiquados falham, por não terem adquirido capacidades heurísticas e terem ficado pela rotina. Desta premissa, é aqui que entram os gestores desportivos licenciados, por terem adquirido saberes académicos, capacidade para formular perguntas, equacionar os problemas e sistematizar diferentes soluções, até optar pela mais viável e exequível. Porque uma boa parte dos dirigentes da causa desportiva regional - e nacional -, em particular numa época de crise económica, não possuem competências académicas e profissionais para transformar a crise do desporto amador, em oportunidades para a mudança. Temos que saber "como fazer", para deixar estruturas organizativas com futuro, às associações e clubes da Madeira.

Urbelino Ferreira, Dirigente desportivo