Enquanto do outro lado do globo se festeja o salvamento heróico, por cá proliferam as caricaturas que nos comparam à situação vivida pelos corajosos mineiros chilenos: estamos soterrados nas profundezas de uma crise, aguardando ansiosa e desesperadamente que uma cápsula milagrosa nos traga de novo à superfície. Na espera, o PS entretém-nos com um exercício de retórica simultaneamente engenhoso e exasperante, capaz de transformar o PSD (ausente do poder há mais de 5 anos) no grande carrasco da credibilidade nacional junto dos "mercados" e do Estado Social, enquanto o Governo surge (mais uma vez) como o salvador da Pátria e baluarte desta nobre causa. Mas deixemos a versão romanceada e passemos a factos: não foi este PS que começou por fechar maternidades e urgências de forma indiscriminada, diminuiu as pensões e aumentou a idade da reforma? Que eliminou dois escalões do abono de família, se prepara para reduzir nas comparticipações do ADSE, limitar o número de medicamentos elegíveis e aumentar o preço dos produtos alimentares mais básicos? Bem vistas as coisas, este PS é antes um "serial killer" do Estado Social, tão frequentes e regulares têm sido os atentados perpetrados contra os seus princípios, e tamanha é a habilidade e frieza com que os executa. Depois, certamente que não foi o PSD que, em pleno arraial eleitoral, aumentou 2,9% os salários dos funcionários públicos, prometeu "cheques-bébé", "cheques-dentista" até aos 16 anos, e insiste em troços de TGVs, acelerando assim o nosso desabamento. O oxigénio "cá em baixo" pode ser escasso mas, enquanto conseguirmos respirar, saibamos manter o discernimento
Luís Nuno Olim, Adjunto do Vice-Presidente