Tânia Silva O assunto é já recorrente e a história do futebol tem sido recheada de jogadores que trocam os seus clubes de formação, referência ou "coração" por clubes rivais. A questão que aqui se coloca é: ainda existe amor pela camisola?, existe fidelidade aos clubes de futebol?. Segundo os entendidos não existe fidelidade, existe oportunidade, marketing e nem se deve falar em traição, mas sim em dinheiro. Passo a enunciar alguns dos "traidores" da história do futebol internacional e nacional, Figo do Barcelona para o Real Madrid, Roberto Baggio trocou a Fiorentina pela Juventus, Batistuta o River Plate pelo Boca Juniors, Luís Henrique o Real Madrid pelo Barcelona, Cruyff do Ajax para o Feyenoord, Sol Campebell do Totttenham para o Arsenal. Em Portugal temos o caso do João Vieira Pinto do SLB para o Sporting CP, o Simão Sabrosa do Sporting CP para o SLB, o Paulo Futre que depois do Sporting CP ainda jogou no FCP e SLB, o Bi-bota Fernando Gomes do FCP para o Sporting CP, o Costinha do Sporting para o FCP e por fim e mais recentemente a ida do João "Judas" Moutinho para o FCP. Numa sociedade cada vez mais desprovida de valores morais e éticos, onde a motivação suprema é sempre o dinheiro, tudo isto é normal e serve para justificar estas transferências, eu tenho algumas renitências relativamente a tudo isto, os colaboradores passaram a chamar-se de trabalhadores, os jogadores passaram a ser os activos dos clubes, até aqui tudo normal, são os sinais da mudança e da tão apregoada inovação. Parece-me é que com as mudanças na terminologia das coisas, alterou-se também a forma de encarar a profissão, o carácter e a postura dos intervenientes. Não condeno a ambição, condeno muitas vezes a motivação que está por trás de certas atitudes bem como, a postura, provavelmente até defensiva, de quem vem "cuspir no prato onde comeu". É no clube de formação, de referência, de "coração", que nos moldamos, é aí que nos tornamos no futuro aquilo que somos, é aí que temos o nosso nome cravado na história. O João Moutinho para mim era no Sporting um jogador símbolo do meu clube, o meu capitão, o nº 28, no FCP é mais um activo que à primeira oportunidade irá voar para outros rumos onde irá enriquecer o seu activo, do seu agente e do clube que actualmente representa. Não o condeno por desejar auferir mais, melhor já depende da perspectiva de cada um, quanto à humildade que sempre o caracterizou dissipou-se, pois a postura agora é outra, todos temos o nosso livre arbítrio e eu por natura apelo-o sempre, mas jamais me revejo a proferir declarações que de alguma forma possa ferir a identidade de uma instituição que apostou em mim! Não se trata de clubismos, trata-se de valores… Saudações Unionistas.