Por mais que dê voltas à cabeça, não encontro nada mais objectivo para escalonar o rendimento quantitativo das escolas do que um exame nacional, feito à mesma hora, com a mesma grelha de correcção, entregue a alunos do mesmo nível de ensino e com médias de idades semelhantes. Qualquer especialista em estatística sabe que esta é a amostragem ideal, porque cobre todo o universo de estudo. Os resultados são, independentemente de todos os argumentos subjectivos que se tentem inventar, o espelho do que produziram alunos, professores e encarregados de educação. Já era assim quando andava no Liceu, já lá vão muito mais de 25 anos e também nesse tempo, mesmo com as benesses das privadas, a Jaime Moniz tinha os melhores resultados da Madeira e não envergonhava ninguém ao nível nacional. É por tudo isto que não se percebem frases do tipo "comparar o incomparável". Os resultados são comparáveis, as reprovações também. Infelizmente, a Madeira continua na cauda das médias nacionais, mesmo quando o termo de comparação são regiões desfavorecidas, interiores, com menor poder de compra, menos infraestruturas escolares e com professores com uma média de experiência profissional inferior. Infelizmente, porque é justo reconhecer o esforço que tem sido feito para recuperar da enorme desvantagem inicial que nos colocou no último lugar da grelha de partida do ensino - nas outras áreas foi a mesma coisa - quando a democracia veio permitir que a escola fosse para todos. Partir de uma taxa de analfabetismo subsariana, superior a 20%, é complicado. Mas estamos na cauda dos rankings, disso não restam dúvidas e seria mais produtivo e responsável tentar encontrar explicações para esse atraso, do que utilizar a habitual fuga para a frente e dizer que são "coisas de cubanos" que não interessam. Infelizmente (mais uma vez), é com esses 'cubanos' que os nossos miúdos têm de competir pela entrada na faculdade e por um emprego. E aí, na hora das decisões, muito justamente, o que conta são os resultados e as capacidades individuais. As barbaridades ditas por políticos não servem de atenuante.. Era mais do que tempo de haver respostas para o facto de termos investido milhões e milhões de euros, termos escolas espalhadas por todo o lado - talvez uma das razões do problema - e continuarmos a não conseguir sair do fim do ranking. Nem o tão criticado 'facilitismo' dos exames nacionais, gritado a plenos pulmões no parlamento regional e nas inaugurações, soubemos aproveitar. Se os exames eram fáceis, então, a situação ainda é mais grave. A resposta para tudo isto talvez esteja numa decisão que nunca foi tomada: responsabilização. Responsabilizar as escolas por criaram segregação entre alunos, criando as famigeradas turmas de elite - já era assim no meu tempo, por isso não vale a pena negar - que impedem a evolução e promovem um 'apartheid' ditado pelo estrato social; responsabilizar os pais por terem embarcado na conversa de que tudo eram facilidades e se demitirem das suas obrigações; responsabilizar, duramente, as boçalidades de quem perguntava "a senhora come cultura?"; responsabilizar os alunos com códigos disciplinares justos, mas que não deixem dúvida sobre quem manda numa escola; responsabilizar os professores. Neste último caso, a tarefa é mais difícil, um verdadeiro trabalho de Hércules que não começa bem, depois de alguém, o tal do 'comer cultura', ter decidido que todos os professores são bons, por decreto. Maior mentira não poderia ser dita. Como em todas as profissões (como a de jornalista), há bons, muito bons, excelentes, mas também medíocres, maus e péssimos. E estes são um problema e representam vários pontos naqueles rankings. Num ranking, infelizmente, parece que estamos nos lugares da frente: o da irresponsabilidade.